Curitiba - O ex-executivo norte-americano Jeffrey Smith alertou os produtores rurais brasileiros para não caírem na armadilha de empresas multinacionais e de produtores norte-americanos que querem disseminar o plantio de transgênicos no Brasil. Smith se encontrou ontem com o governador Roberto Requião (PMDB), no Palácio Iguaçu, em Curitiba, para cumprimentá-lo sobre sua resistência contra o avanço do plantio de soja transgênica no Estado.
Smith é um administrador de empresas e vem trabalhando com Organizações Não Governamentais (Ongs) nas denúncias contra empresas multinacionais norte-americanas que, segundo ele, estão corrompendo políticos e funcionários do governo dos Estados Unidos para liberação de alimentos transgênicos naquele país. Smith escreveu o livro ''Sementes da discórdia'', com 266 páginas ainda não traduzido para o português. O livro já vendeu 16 mil cópias.
No livro, Smith conta que o Food & Drug Administration (FDA) órgão que libera alimentos e medicamentos para o mercado americano, está liberando os alimentos geneticamente modificados a partir de pesquisas precárias patrocinadas pelos próprios fabricantes. Durante seis anos, o americano pesquisou os bastidores do marketing das empresas de biotecnologia e a íntima ligação delas com o governo e a FDA. Descobriu suborno de milhões de dólares, ameaças, demissões políticas e pesquisas viciadas.
De acordo com Smith, os Estados Unidos estão perdendo a posição de maiores exportadores de grãos do mundo para países como o Brasil. Calcula-se que o prejuízo dos Estados Unidos tenha chegado a US$ 12 bilhões por plantar a soja transgênica. Para evitar a perda de mercados importantes, produtores e empresas norte-americanas estão interessados em incentivar o plantio de produtos transgênicos no Brasil, que é conhecido pelo cultivo da soja e milho convencional.
Smith alertou que as empresas detentoras da tecnologia dos transgênicos estão disseminando informações erradas no Brasil e por isso os grãos modificados geneticamentes estão ficando tão populares principalmente na região Sul do País. Segundo Smith, nos Estados Unidos a produtividade da soja transgênica é 6% menor em relação à convencional e o uso do glifosato aumentou, o que implica no aumento dos custos de produção.
De acordo com Simth, o governo do Paraná não está sozinho na proibição dos transgênicos. Ele disse que há outras regiões no mundo, cuja população está pedindo a proibição de produtos transgênicos por não saberem exatamente quais as consequências para a saúde humana. Entre elas, citou a Califórnia (EUA), Austrália, Nova Zelândia, Itália e Áustria, além dos países do Sudão e Angola, na África. Essas regiões e países também seguem leis que restringem o plantio e comércio de produtos transgênicos.

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