Uma economista conservadora de 67 anos foi nomeada para assumir o lugar do demissionário Stanley Fischer como número 2 do FMI (Fundo Monetário Internacional). No cargo de vice-diretora-gerente do Fundo, a norte-americana Anne Krueger, da Universidade de Stanford, lidará diretamente com crises como as que rondam a Turquia e a Argentina.
O anúncio foi feito ontem, pelo diretor do FMI, o alemão Horst Köhler. A indicação, para um período de cinco anos, precisa ser aprovada pelo conselho do Fundo, mas o procedimento é visto como mera formalidade.
Krueger tem ligações diretas com a atual administração dos EUA. Antiga colaboradora dos republicanos, foi economista-chefe do Bando Mundial durante os anos 80, quando Ronald Reagan estava na Casa Branca.
A indicação foi vista como uma vitória do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, que defende uma restruturação do Fundo, cuja atuação durante a crise asiática (97-98) foi bastante criticada.
Um exemplo de como pensa a nova subdiretora do Fundo: no ano passado, durante uma palestra na Austrália, ela se opôs a cláusulas trabalhistas em acordos comerciais. ‘‘O trabalho infantil existe não porque os pais são cruéis, mas porque as alternativas seriam a fome, a prostituição ou a vida nas ruas’’, afirmou.
É uma tradição no FMI que a direção fique com um europeu, enquanto um americano ocupe o segundo cargo mais importante. Köhler é o sucessor do francês Michel Camdessus.
Foram preenchidos outros três cargos. Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, vai assumir o lugar de Michael Mussa como economista-chefe. O também americano Timothy Geithner vai comandar o departamento de política de desenvolvimento. Sobrou para um alemão a última vaga. Gerg Hausler chefiará o departamento de mercados.

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