Vânia Moreira
De Umuarama
O governador Jaime Lerner lança hoje em Tapejara (36 quilômetros a nordeste de Umuarama) um programa de incentivo à produção de novilho superprecoce no Noroeste do Paraná. Lerner e o Secretário da Agricultura Antônio Polôni, abrem o dia de campo sobre pecuária de curta duração, promovido pela Secretaria da Agricultura e a Emater. Aproximadamente mil pecuaristas de 112 municípios são esperados para o evento. A Seab quer incentivar a produção de novilho superprecoce que pode ser abatido entre 12 e 14 meses de idade.
O dia de campo, com palestras e experiências, será a partir das 14 horas, na Fazenda Mutuca.
Segundo o chefe do escritório regional da Emater em Umuarama, Geraldo Sinceroe Sobrinho, o programa Pecuária de Curta Duração foi desenvolvido especialmente para a região noroeste, onde se concentra o maior rebanho bovino do Paraná, com mais de 1,5 milhão de cabeças.
‘‘Queremos que o pecuarista se modernize, produza carne de melhor qualidade, mais competitiva e tenha mais lucro’’, disse Sincero. Trata-se de um sistema intensivo de produção de carne bovina adaptado para o Noroeste. O novilho superprecoce oferece carne mais macia, com pouca gordura e sem colesterol.
Ganho de peso De acordo com o chefe da Emater, os animais são produtos de cruzamento entre raças zebuínas e européias, criados e alimentados de forma diferenciada desde o nascimento até o abate. Com isso, chegam a 450 quilos até o 14 mês de vida e estão prontos para o abate. A técnica permite aumentar a lotação dos pastos de 1,5 animal por hectare para 4 animais por hectare. Aumenta o índice de natalidade de 55% para 90% ao ano. Aumenta o índice de desfrute (número de animais vendidos na propriedade por ano) de 17% para 42%.
Cerca de 40 fazendeiros da região já produzem o novilho precoce, animal que pode ser abatido aos dois anos de idade. Criado à campo, de forma simples, o animal só fica pronto para o abate aos três anos. Quanto mais cedo o abate, melhor a qualidade da carne.
Qualquer produtor pode aderir ao programa. A Emater fornece a assistência técnica. Através do Programa Fábrica do Agricultor, a Seab também está parcerias com grupos de produtores para promover o abate e comercialização diferenciada desta carne de melhor qualidade. Segundo Sincero, dezenas de produtores estão dispostos a investir na pecuária de curta duração. ‘‘Com esse dia de campo, esperamos despertar o interesse de um grande número de fazendeiros’’, informou.
Aumento do plantel Outras vantagens são o aumento de até 80% no plantel de matrizes devido à sobra de área porque os bois ficam menos tempo no pasto. Diminui o índice de mortalidade (menos de 1% ao ano), além de racionalizar custos e mão-de-obra. ‘‘O produtor e o Estado só têm a ganhar produzindo carne com padrão de exportação’’, disse Sincero. A grande maioria dos pecuaristas do Noroeste cria os animais a campo, com poucos investimentos em pastagens, qualidade genética do rebanho e qualidade da carne.
Estima-se que 70% das áreas de pastagens estão degradadas e a capacidade de lotação diminui a cada ano. O presidente da Sociedade Rural de Umuarama, Sidney Lujan, é um dos pecuaristas que criticam o atraso tecnológico da pecuária do Noroeste. ‘‘O Mercosul está aí e ainda não temos condições de competir com os outros países’’, constata.

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