Nome de Cavallo é cotado para assumir BC argentino
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de março de 2001
Agência Folha De Buenos Aires 
A renúncia do ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, deve provocar mudanças mais amplas no governo de Fernando de la Rúa e, talvez, a polêmica volta de Domingo Cavallo (foto) ao poder. A pasta da Economia ficaria com Chrystian Colombo, seu chefe de Gabinete, ou Ricardo López Murphy, ministro da Defesa. Os dois contam com a confiança de banqueiros e do empresariado. O debate, no entanto, não se limita a nomes que caiam ou não no gosto do mercado.
A opção por Murphy representaria um sinal forte de que a política econômica argentina estaria lastreada ainda em um forte ajuste fiscal isto é, antes de uma eventual recuperação do crescimento o país veria se estender o período de arrocho e deflação. Colombo, apesar de ortodoxo, liberal, seria mais flexível, aberto à tentativa mais imediata de reativação econômica, segundo analistas argentinos.
Cavallo, que há dez anos implantou o sistema argentino de câmbio fixo e de paridade entre o dólar e o peso, voltaria para o Banco Central. Ex-ministro da Economia do peronista Carlos Menem, adversário da União Cívica Radical de De La Rúa, Cavallo substituiria Pedro Pou, acusado de negligenciar ou acobertar denúncias de lavagem de dinheiro.
Sua escolha ou de um economista por ele indicado representaria uma opção mais ousada de De la Rúa, uma concessão ao empresariado não-financeiro: isto é, a retomada econômica mais imediata. Especula-se até que, com o ex-ministro de Menem, o sistema cambial argentino poderia ser modificado: em vez da paridade com o dólar, o peso seria atrelado a uma cesta de moedas.
Toda essa especulação derivava das conversas de bastidores após reuniões de muitas horas entre De la Rúa, líderes da Frepaso, a frente centro-esquerdista aliada à União Cívica Radical, e Raúl Alfonsin.
O chefe de Gabinete de De la Rúa seria uma espécie de solução de compromisso entre os membros da Alianza, a coalizão política que sustenta De la Rúa. Colombo teria aceitação da Frepaso, dirigida pelo ex-vice-presidente Carlos Chacho Alvarez, que renunciou em outubro passado.
Os meios de comunicação argentinos difundiam os rumores de que, para aceitar o cargo, Colombo exigira reforma mais profunda, com as saídas de Pedro Pou, o chefe do banco central, acusado de acobertar operações de lavagem de dinheiro, e Graciela Fernández Meijide, a questionada ministra do Desenvolvimento Social para muitos, inoperante.
Não bastasse, mantém respeito por parte de membros do Partido Justicialista, o poderoso partido de oposição, favorito para ganhar as eleições de outubro -quando será renovado o Senado, já em seu poder, e metade da Câmara.
Ricardo López Murphy, o ministro da Defesa, estava até sexta-feira em viagem pela Europa. Foi chamado de volta por De la Rúa. Sua indicação teria a princípio a oposição da Frepaso.
Apesar de muito polêmica, a escolha de Cavallo pode estar sendo cozinhada no governo. Alfonsín, seu inimigo declarado, teria afirmado na sexta-feira que não vetaria o ex-ministro em público.
Chacho Alvarez declarou seguidas vezes, que o ex-ministro, sendo uma personalidade respeitada no mercado internacional e interno, poderia ser aproveitado, apesar do mau humor da Frepaso em relação ao ex-menemista. Hoje, Cavallo lidera o partido Ação pela República, que conta com escassos 13 representantes na Câmara dos Deputados.


