Trabalhar pra ficar no zero a zero, sem lucro na atividade. Essa é a realidade de diversos avicultores do Estado que trabalham no sistema de integração com grandes empresas do setor. Eles relatam que os custos de produção da atividade cresceram significativamente nos últimos anos e que algumas empresas não têm repassado um valor interessante para que os aviários continuem rentáveis. Em alguns casos, os produtores estão operando no vermelho e com dificuldades de arcar com o financiamento da estrutura em que as aves ficam alojadas.
Carlos Alberto Valini é avicultor e presidente da Associação dos Criadores de Aves de Londrina (Avinorte), que conta com cerca de 500 associados de diversas cidades do Norte do Estado, incluindo o Norte Pioneiro. Ele comenta que os produtores da região trabalham com quatro empresas maiores e todas elas diminuíram o valor pago por ave no último ano. "As empresas dizem que o valor do milho subiu demais e isso fez com que o repasse para nós seja menor. Entretanto, a alta da commodity aconteceu apenas agora e a diminuição do preço pago acontece há maior tempo", explica.
Nos cálculos da entidade, os produtores do Norte estão com um custo de produção de R$ 0,67 por ave até que o animal esteja pronto para o abate, em torno de 45 dias. No Norte Pioneiro, em que os animais ficam prontos em 28 dias porque são voltados para exportação com um peso menor (frango inteiro), o custo para o avicultor fica em R$ 0,43. Vale dizer que as empresas são responsáveis por fornecer assistência técnica, ração, medicamento, entre outros insumos. "A média de pagamento no Norte é de
R$ 0,57 a R$ 0,60, com casos de valor menor. No Norte Pioneiro, fica em R$ 0,43. Ou seja, o recebido está abaixo ou apenas empatando com o custo de produção. Há casos em que os produtores não conseguem bancar o financiamento do aviário. Vale dizer que algumas empresas fazem, digamos, um enfeite. Incentivam o produtor a construir o aviário, pagam bem no início, e depois jogam o preço lá embaixo", relata Valini.

OSCILAÇÃO
Avicultor em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), Altair de Souza Severgnini está na atividade desde 2008. Há três anos e meio ele resolveu investir num novo aviário e agora está com dificuldade de pagamento do financiamento, que tem parcela semestral de R$ 35 mil. Atualmente, Severgnini produz em torno de 60 mil aves por lote. "Hoje o nosso custo de produção gira em R$ 0,68 por ave, segundo a Faep, e em média estou recebendo R$ 0,65. Neste último lote, foi interessante, porque me pagaram R$ 0,86 por ave. O problema é que essa oscilação nos pagamentos acaba dificultando para aqueles que precisam arcar com diferentes compromissos. Está bem difícil bancar essa estrutura e por isso tive que reparcelar o meu financiamento", salienta o produtor.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, pondera que há integrações e "integrações" e que o avicultor precisa estar atento quando fecha o contrato com alguma empresa do setor. "Cada empresa adota uma postura de remuneração com o parceiro. Além disso, existe uma tabela de produtividade que leva em consideração níveis de mortalidade, peso dos animais em relação à ração fornecida, entre outros tópicos. O que eu recomendo é que o avicultor feche contratos por lote e, se não estiver satisfeito com a empresa, possa procurar outra. Para aqueles produtores que trabalham com alta produtividade, não existe atividade melhor", complementa.

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