No União da Vitória, 26% dos moradores têm telefone em casa
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Cláudia Lopes 
Milton Dória
Acesso à tecnologiaLuzia Vieira tem telefone em casa pela primeira vez: A família inteira aproveita, diz. Neivanil Tertuliano, serralheiro desempregado, acha que agora vai ser mais fácil conseguir um emprego
A casa do serralheiro Neivanil Tertuliano, na data 29 da quadra 53 no Jardim União da Vitória, zona sul de Londrina - uma das maiores concentrações de pobreza do município -, ainda não é servida por rede de esgoto, mas a linha telefônica já chegou. Desempregado, Tertuliano acredita que o telefone, instalado no mês passado, vai facilitar a procura por um trabalho. Ele e sua mulher, Valdirene dos Santos, comemoram o novo bem da família. É muito bom ter telefone em casa, ela diz.
Para baratear a instalação do aparelho, que é alugado, Tertuliano fez a ligação entre a caixinha e a casa. Usei os R$ 25 que economizei na instalação para comprar o aparelho, conta. A cobrança do aluguel, de R$ 22,50, virou preocupação da família depois que Tertuliano perdeu o emprego. Estou preocupada com a conta. Mas se meu marido não conseguir serviço rápido, arranjo o dinheiro trabalhando como faxineira, afirma Valdirene, que ganha R$ 20 por dia.
Antes, a única alternativa era usar o telefone público, mas eles precisavam andar seis quadras. Agora ficou tudo mais fácil. Na semana passada, meu filho de dois anos tomou desinfetante. Eu liguei para o hospital e a atendente me explicou o que fazer. O socorro foi rápido. Se não tivesse telefone em casa, não sei o que ia acontecer, conta.
A dona-de-casa Luzia Vieira, moradora na data 25 da quadra 60 no União da Vitória, tem pela primeira vez telefone em casa. E está gostando da novidade. É que o orelhão aqui do bairro estava sempre quebrado ou com problema. Como a maioria dos parentes de Luzia também mora no União da Vitória, muita gente aproveita o benefício, ela conta. Minha mãe, sogra e irmã usam o telefone daqui de casa. Acaba servindo para a família inteira.
O presidente da Associação de Moradores do Jardim União da Vitória, Edgar Campos de Souza, conta que a comunidade iniciou uma campanha para a instalação dos telefones no bairro há dois anos. Fizemos várias reuniões com diretores da Sercomtel e hoje todos os moradores que fizeram a solicitação já estão com os telefones ligados.
O União da Vitória, servido apenas parcialmente pela rede de esgoto, hoje já compreende sete bairros. Surgiu de um assentamento realizado há cerca de 12 anos a partir da remoção de uma centena de famílias de uma área invadida em Tamarana, ex-distrito de Londrina. Hoje, tem 2,2 mil casas e cerca de 13 mil habitantes, segundo Souza.
Conforme levantamento da Sercomtel, já existem 582 terminais ativados no bairro. Isso significa uma cobertura de 26% do serviço. A maior parte dos moradores teve acesso ao sistema a partir do dia 15 do mês passado, quando a Sercomtel S/A Telecomunicações concluiu a instalação de dois equipamentos ELI - Estágio de Linha Integrado no centro do bairro. Walter Campanelli, diretor de marketing e de serviços da empresa, informa que a Sercomtel investiu R$ 5 milhões na implantação dos dois equipamentos.
Segundo o diretor, antes da entrada em funcionamento das ELI, o bairro era servido pela estação Ouro Branco. Puxávamos fios desta estação até o União da Vitória. Como não tínhamos capacidade de atendimento, havia apenas cerca de 50 telefones em funcionamento, ele afirma. Em dezembro passado, a Sercomtel fez um levantamento para analisar o índice de inadimplência destes usuários. Não encontramos nenhum usuário em atraso, diz.
Segundo o diretor da Sercomtel, não há fila de espera por telefone no bairro. Hoje temos condições de atender mais 100 terminais. Mas se houver necessidade, contamos com infra-estrutura para ampliar ainda mais essa capacidade.


