O mercado automotivo paranaense ensaiou uma recuperação no mês de março, no entanto, no acumulado do ano persiste a queda nas vendas em relação a 2014, especialmente no segmento de caminhões, que comercializou 68,16% a menos no trimestre. Frente a fevereiro deste ano, a retração foi de 9,86% e em comparação com março de 2014, a queda chegou a 78,45% no segmento. No País, as vendas de caminhões registraram o pior trimestre desde 2008, com queda de 36,16% sobre o ano passado, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Concessionários ouvidos pela FOLHA acreditam que o segundo semestre será de recuperação, porém, sem crescimento em relação a 2014. No ano passado, até março, haviam sido emplacados 757 caminhões no Estado; este ano, foram apenas 241. A definição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre os juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para a compra de caminhões por empresas e autônomos pode explicar o trimestre retraído.
Osmar Júnior, vendedor da Ingá Veículos, concessionária Mercedes em Londrina, diz que, a partir da definição sobre as taxas para o financiamento as empresas puderam se planejar. "O começo do ano foi bem fraco porque o pessoal estava esperando para ver a questão dos juros", pondera.
Em dezembro do ano passado, o BNDES anunciou o aumento da taxa de 6% ao ano para 9% (autônomos), 9,5% (pequenas e médias empresas) e 10% (grandes empresas). Além disso, o financiamento de 100% do bem foi reduzido para 50% ou 70%. Após negociação com as montadoras, o BNDES passou a liberar o financiamento de até 90% da porcentagem restante.
"Até o ano passado, era possível financiar sem entrada, hoje, exige-se 30%. Mas ainda assim a gente está conseguindo fazer financiamento a parte para ajudar ao máximo os clientes", diz Júnior. Adenilson Silva, gerente de vendas da Servopa, concessionária Volkswagen, diz que o mês de março deu sinal de melhora e abril deve seguir no mesmo patamar. Para ele, a recuperação deve vir no segundo semestre.
"Quem trabalha com caminhão tem que comprar; hoje o empresariado está convencido de que a taxa (de juros) não vai mudar", ressalta Silva. Para o fechamento do ano, o gerente acredita que a repetição do desempenho de 2014 já seria um bom resultado. "Para todo mundo, de um modo geral, se empatar já estaremos felizes", diz.
O gerente geral da Konrad, concessionária de caminhões Ford, Carlos Ardaitz, diz que o primeiro trimestre foi o pior da história da empresa em Londrina, onde atua desde 2009. No entanto, ele acredita que os negócios ganhem fôlego em breve.
"A gente sabe que o mercado não fica mais do que 4 ou 5 meses ruim e começa a reagir, porque existe uma necessidade e a vida continua", declara. Mesmo em períodos de crise econômica como o atual, Ardaitz destaca que alguns setores da economia conseguem crescer, como o agrícola, aumentando a demanda por veículos pesados.
"Acho que a partir de maio as coisas devem melhorar com relação ao início do ano, mas não em relação ao ano passado", pondera. Os dados municipais da Fenabrave não são cumulativos, por isso, não é possível fazer uma comparação entre o desempenho do setor em Londrina frente ao mês anterior. Mas em março, foram comercializados 13 caminhões na cidade, número que representa 2,48% de participação no mercado estadual.

mockup