O consumidor brasileiro vive sob fogo cruzado. De um lado, reportagens e artigos na mídia alertam para o mal causado por fast-foods e demais guloseimas. De outro, anúncios incentivam o consumo desses mesmos alimentos. Na hora do compra, porém, o que faz a diferença é o discernimento de cada consumidor.
''Para consumo de comida eu sou bem seletiva. Fico sempre com aquilo que acho mais saudável'', afirma a dona de casa Luciana Iung de Carvalho. Apesar de reconhecer a influência das propagandas, ela diz que consegue encher o carrinho do supermercado com produtos saudáveis, mesmo acompanhada da filha Maria Eduarda, de 3 anos. ''Aprendi uma coisa: a primeira vez que a criança pedir algo dentro do supermercado, não compre. Dá certo. Hoje minha filha vem junto e não dá trabalho'', conta.
Chocolate? Só na Páscoa. ''Ela (a filha) me pediu uma vez para comprar um tipo de danoninho que saiu na TV. Comprei e ela não gostou. Depois, nunca mais pediu nada que tivesse visto em propaganda. Em casa, não temos o hábito de consumir guloseimas'', diz Luciana, que só não abandonou ainda o consumo de achocolatados.
Mãe de quatro filhos de 19, 21, 28 e 29 anos, a empresária Prycila Villar não consegue deixar de levar para casa salgadinhos, pipoca de microondas, bolachas recheadas e muitos embutidos. ''É tudo encomenda (dos filhos). Se fosse por mim, só levaria coisas saudáveis. Quando eles eram crianças, até dava para segurar. Agora, eles determinam'', afirma.
Para a empresária, as propagandas têm grande responsabilidade sobre estes hábitos de consumo. ''A mídia judia. Tem muita influência, principalmente, sobre o público jovem'', observa. Durante a semana, Prycila revela que define o cardápio e leva a família a seguí-lo. ''Mas no final de semana tem que ter o refrigerante e outras guloseimas'', diz.
Questionada sobre as propagandas de alimentos que lembra ter visto nos últimos anos, a advogada Stella Vicente só consegue achar um item saudável - um suco natural à base de soja - entre os vários anúncios citados. Hoje, porém, a advogada diz que mudou os hábitos e só compra ''porcarias'' de vez em quando.

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