Curitiba - O prejuízo estimado entre R$ 14 milhões e R$ 16 milhões com as perdas na produção agrícola de Realeza (75 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão) embasou o decreto de situação de emergência, assinado, anteontem, pelo prefeito Eduardo André Gaievski. O montante representa cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do município.
A estimativa de prejuízo financeiro foi feita com base no levantamento realizado há 10 dias, portanto, o rombo para os produtores pode ser maior, já que de lá para cá a situação das lavouras se agravou.
Com o respaldo do decreto, Gaievski disse que espera conseguir ajuda imediata do governo do Estado com a disponibilização de horas-máquina para que os produtores possam abrir bebedouros para os animais. Realeza é o terceiro maior pólo de avicultura e tem mais de 100 produtores de leite. Outro auxílio urgente, segundo ele, seria o de fornecimento de cestas básicas para os bóias-frias, que estão desempregados.
Hoje, Gaievski tem audiência com o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, e espera ser recebido, também, pelo vice-governador e secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, para negociar o apoio ao município. O prefeito informou que pediu ao Ministério da Integração Nacional a abertura de poços artesianos nas propriedades rurais, já que os agricultores também estão sem água para o consumo. Muitos deles estão recebendo água de caminhão-pipa.
''A situação é grave, pois esse é o terceiro ano consecutivo de seca, o que deixou nossos produtores descapitalizados'', afirmou Gaievsk. Segundo ele, o município tentará intervir na renegociação das dívidas, a maioria contraída de auto-financiamentos com multinacionais de adubos e fertilizantes.
De acordo com o técnico da Emater em Realeza, Odir Basso, as perdas mais expressivas são nas lavouras de milho (60%) e soja (45%). Em cerca de 1,5 mil hectares (ha) de um total de 4 mil ha plantados com milho da safra normal, a perda é total. A produção de leite diminuiu em 30% e deve levar dois meses para se normalizar, caso as condições climáticas se normalizem. Os prejuízos com a seca atingem, ainda, as plantações de fumo e mandioca, comprometendo em 20% a produção. Ao todo, o município tem cerca de 1,6 mil produtores rurais.
Como o balanço é preliminar, Basso estima um acréscimo de, pelo menos, 10% nas quebras de safra. Um relatório atualizado deve ser concluído até sexta-feira e divulgado pela Secretaria de Agricultura, no início da semana que vem.

mockup