No segundo trimestre números despencaram
A desaceleração da produção industrial, que vem ocorrendo desde março na comparação com os meses imediatamente anteriores, devido a fatores macroeconômicos, foi agravada pelo racionamento de energia. Mas o impacto foi menor do que o esperado e concentrado basicamente no desempenho da indústria em Minas e São Paulo, segundo Paulo Gonzaga, economista do Departamento de Indústrias do IBGE.
Apesar do desempenho de junho, que representou um recuo na produção média nacional de 1,4%, no acumulado do semestre a situação se inverte, com nove áreas pesquisadas ainda mantendo resultados positivos, com destaque para o Rio (7,2%), São Paulo (5,6%) e Paraná (5,5%). Já a taxa média de crescimento industrial no País caiu de 7,1% nos primeiros três meses do ano para 2,9% no segundo trimestre.
A comparação entre o primeiro e o segundo trimestres confirma a desaceleração da produção. A análise por região permite identificar que o desempenho de 10 das 12 regiões piorou no segundo trimestre, comparado ao anterior. ''É um claro sinal de perda de dinamismo da atividade industrial'', diz Gonzaga.
O freio que vem tornando mais lento o crescimento da indústria é resultado do avanço das taxas de juros, da variação cambial e dos fatores externos, como a crise na Argentina, segundo maior parceiro comercial do País, e a desaceleração da economia norte-americana.
Conjugados, os fatores têm afetado diretamente a produção brasileira. Em junho, o racionamento agravou o quadro. Mas o efeito, segundo o economista, concentrou-se principalmente nos Estados de Minas Gerais e São Paulo.
Depois de três meses consecutivos de aumento no início do ano, o parque industrial de São Paulo, responsável por mais de 40% da produção do País, entrou em um período de queda. Em junho, 14 dos 20 setores pesquisados mostraram diminuição da atividade, embora no acumulado do ano a taxa ainda esteja positiva em 5,6%. Apesar da queda, os índices acumulados mais expressivos para denotar tendências, já que abrangem um período mais longo ainda são superiores aos da média nacional.
Em outras regiões do País, problemas como a situação argentina, safra e elevação dos juros foram preponderantes para o recuo da atividade. O caso típico foi a Região Sul. Segundo o economista do IBGE, a produção encolheu 0,8% na região. No Rio Grande do Sul, a redução de 3,4% na atividade refletiu as quedas nos segmentos de material de transporte, farelo de soja, nafta e material elétrico. ''Em maio, a queda no Estado havia sido pior, de 2,3%. Apesar de lá não haver racionamento, sofreram com outras questões macroeconômicas, como o câmbio e a situação no Mercosul'', disse Gonzaga. No Nordeste, houve quedas na indústria têxtil e alimentar, mas também metalurgia.
Santa Catarina registrou aumento no setor de material elétrico, em parte beneficiado pelo racionamento, que aumentou a demanda por transformadores de alta e baixa tensão, para os investimentos em distribuição de energia elétrica, explica o economista. Além disso, o Oeste do estado concentra empresas exportadoras, como a Sadia e Perdigão.(AE)





