No século, Brasil é 5º em crescimento
Agência Folha
De São Paulo
Se não tivesse perdido as duas últimas décadas alternando surtos inflacionários e recessivos, o Brasil fecharia o século 20 com o segundo maior crescimento econômico no mundo, encostado em Taiwan, o primeiro colocado. Porém, o desempenho medíocre da economia nacional desde 1980 é responsável por derrubar o Brasil para a quinta posição no ranking, atrás também de Coréia do Sul, Venezuela e Colômbia.
Essas são algumas conclusões de estudo feito pelo economista Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Usando estatísticas do Banco Central do Brasil e de organismos e publicações internacionais, ele reconstituiu as séries históricas de evolução do PIB (Produto Interno Bruto) de quase todos os países entre 1890 e 1998.
Dentre todos esses o caso brasileiro se destaca pela dramaticidade. Seu desempenho era espetacular até a entrada nas chamadas décadas perdidas: de 1890 a 1980 o Brasil cresceu em média 4,59% ao ano. Os períodos mais agudos de crescimento foram os anos do milagre na década de 70 (8,8% ao ano, em média), no período do desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek na década de 50 (7,12% ao ano) e no auge da economia cafeeira nos anos 20 (5,97%).
O resultado é que nesses 90 anos até 1980 o Brasil só não cresceu mais do que a Venezuela, cuja média anual, insuflada pelo descobrimento de reservas petrolíferas, chegou a 4,99% no período. Para enfatizar o que significou o crescimento brasileiro em relação ao resto do mundo, Marcio Pochmann fez uma comparação específica entre o Brasil e os Estados Unidos.
Em 1890, quando o país ainda tinha uma economia essencialmente agrícola, o PIB brasileiro representava apenas 5,1% do PIB dos EUA. A renda dos brasileiros, medida pelo PIB per capita (conjunto das riquezas do País dividido por sua população), equivalia a 22,7% da renda dos norte-americanos.
Em 1980, mesmo com os EUA tendo se consolidado como maior potência mundial após o boom do pós-guerra, o PIB brasileiro praticamente triplicara em relação ao norte-americano, chegando a 14,9%. A renda per capita também crescera, chegando a 28,7% da norte-americana. Aí o Brasil registrou subsequentemente suas duas piores médias de crescimento no século: 3,03% nos anos 80 e 1,72% nos anos 90 (supondo-se crescimento zero para 1999).
O resultado é que, em 1998, o PIB do país equivalia a apenas 10,1% do dos EUA uma perda de 50% em relação ao que havia sido conquistado até o início dos anos 80. No caso da renda dos habitantes as perdas foram ainda mais dramáticas: voltou-se ao equivalente a apenas 20,7% da norte-americana. O PIB per capita dos brasileiros retrocedeu a uma situação pior do que há 108
anos, enfatiza Pochmann. Enquanto isso os países asiáticos tiravam a diferença. De 1980 a 1998 o melhor desempenho foi o da China, que conseguiu a espantosa média de 7,44% de crescimento ao ano. Em seguida vieram Coréia do Sul (7,08%), Paquistão (6,04%), Taiwan (5,67%) e Tailândia (5,60%). O país latino-americano mais bem colocado nesses 18 anos foi o Chile. Com uma média de 4,44% ao ano, teve a nona maior taxa de crescimento.





