No RS, produtor estoca soja à espera de alta
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sábado, 03 de junho de 2006
Elder Ogliari<br> Agência Estado 
Porto Alegre A maior parte da safra de soja e arroz do Rio Grande do Sul está represada nos armazéns, silos e galpões à espera de melhores preços. Os produtores vêm optando por vender somente os volumes necessários para gerar caixa para o pagamento de compromissos imediatos. E mantêm grandes volumes em estoque, apostando em recuperação de preços internacionais, alta do dólar e ajustes ao pacote agrícola anunciado pelo governo federal na semana passada.
Um termômetro do escoamento lento é o porto de Rio Grande, por onde passa quase toda a exportação da soja, o principal produto da agricultura gaúcha. O presidente dos terminais privados Termasa e Tergrasa, Caio Cezar Vianna, revela que a capacidade de 514 mil toneladas dos armazéns está tomada e não há perspectiva de retomada imediata do fluxo, que faria a soja seguir para o exterior, abrindo espaço para a recepção de novas cargas do interior do Estado. ''Só estamos recebendo cargas para navios que já estejam contratados.''
Segundo o diretor da corretora Brasoja, Antônio Sartori, apenas 45% das 7,7 milhões de toneladas de soja colhidas neste ano já foram vendidas, quando a média histórica, para o início de junho, é de 70%.
Ao contrário de 2004 e 2005, quando a estiagem frustrou as colheitas, a safra deste ano foi cheia. Mas o preço do principal produto, a soja, está próximo de R$ 23 pela saca de 60 quilos, muito inferior à média de R$ 38 da série histórica de 2001 a 2005 calculada pela Emater.
O ritmo lento da comercialização é que retém a safra e não problemas de infra-estrutura, avalia o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto. Vianna concorda, ao dizer que a safra já se acomodou. As cooperativas armazenaram a produção em silos próprios ou alugados, assim como os produtores que têm capacidade individual de estocagem. Havendo comercialização, a estrutura de transportes tem condições de escoar rapidamente os volumes.
A estratégia de reter o produto pode acabar beneficiando os arrozeiros, que produziram 6,6 milhões de toneladas e sofrem com a cotação de R$ 16,20 pela saca de 50 quilos, inferior ao custo de produção estimado em R$ 28. A perspectiva é de um segundo semestre de oferta e demanda próxima do equilíbrio e de recuperação de preços.
Para os sojicultores, no entanto, o quadro tende a ser diferente. Quando voltarem a ofertar no mercado internacional, eles poderão ter perdido espaço para os argentinos, que estão vendendo agora, beneficiados por um câmbio próximo de 3 pesos por dólar. Além disso, a partir de setembro terão a concorrência da safra americana. Neste quadro, adverte Sartori, a tendência do mercado é de cotações baixas.


