No ritmo da noite londrinense
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
Recentemente a revista Forbes publicou uma matéria com o título ''Esqueça a Bossa Nova, o Brasil agora é o País da música eletrônica''. O texto dizia que ao lado de Alemanha, França e Estados Unidos, o Brasil se tornou uma das mecas deste estilo. A publicação citava o estudo realizado pela ''Rio Music Conference'' - maior evento brasileiro do gênero -, que mostrou que em 2011, as vendas de ingressos de festas em todo território nacional renderam US$ 515 milhões, receita 56% maior do que a obtida em 2010. O mesmo estudo apontou que o público desse segmento chega a 19,5 milhões de pessoas, que gastaram US$ 626 milhões em hospedagem, alimentação, transporte e outros itens.
Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing, o londrinense Rafael de Lima Armelin, 32 anos, conhece bem esse nicho. Antes de se tornar referência em seus empreendimentos noturnos, vendeu perfumes e cosméticos de porta em porta. Na época, tinha 13 anos. Aos 16 resolveu investir na profissão de promoter de festa e organizou sua primeira balada. Aos 17 foi dar aula de capoeira.
''Dos 13 aos 18 anos fui autônomo. Até que comecei a trabalhar em uma casa noturna e outras empresas do mesmo grupo, nas quais fiquei aproximadamente cinco anos. Saí de lá e montei um escritório de eventos promocionais, mas ele durou apenas seis meses. Entrei em depressão e estava pronto para partir para os Estados Unidos, trabalhar na montagem de eventos em um cassino'', relembra Armelin.
Mesmo com um inglês ruim e sem estímulo da família e de amigos, ele manteve a decisão. Antes, porém, resolveu fazer uma festa de despedida. O evento, imaginado para poucos, juntou mais de 5 mil pessoas. A mudança de ideia foi inevitável e começou aí a trajetória de sucesso do jovem empresário.
Depois de longo tempo fazendo festas, motivado por um amigo que hoje é seu sócio, Armelin montou seu primeiro negócio no ramo, o Escritório Bar. ''Era 2007. Achamos um ponto de balada falido, com fama de sapo enterrado, cemitério de índio. Ficamos muito desconfiados, mas ou era aquela hora ou nunca mais'', conta. Hoje, passam pela casa uma média de 3 mil pessoas por fim de semana. Isso inclui quartas, quintas, sextas, sábados e domingos.
A ascensão dos negócios continuou e, dois anos depois, ele inaugurou, com mais dois sócios, a 2800 Clube de Eventos que, mais tarde, foi rebatizada com nome de Kingdom 2800. Hoje recebe por fim de semana, entre sextas e sábados, uma média de 1.200 pessoas.
''Enfrentei muita desconfiança de amigos e familiares, além de muita inexperiência administrativa, apesar de ter estudado, e o medo de perder dinheiro. Errei muito e aprendi com os erros. Ignorar os erros é estar exposto a cometê-los novamente. Mas sempre acreditei nesse ramo e em Londrina'', diz Armelin.
Para ele, o entretenimento londrinense vem crescendo e se profissionalizando. ''Não existe mais espaço para o aventureiro e amador. O entretenimento agita muito a cidade, gera empregos, movimenta a economia.''
Ainda segundo o empresário, ''há cinco anos existiam duas casas consolidadas. Hoje são quatro trabalhando com o mesmo público, além de outras que trabalham com públicos diferentes. Isso é bom para os jovens, que podem aproveitar as opções. Para as empresas nem tanto, que com menor faturamento ficam receosas em reinvestir. Mas nesta hora os empresários devem pensar: estou sem público por causa da concorrência ou por que não estou me renovando?''.



