No ritmo atual, resultado só vira em 75 anos
Para o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), Azenil Staviski, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) foi "extremamente otimista" ao fazer as projeções para 2050. Os dados, segundo ele, estão desconectados da realidade de baixo crescimento do atual governo.
Numa perspectiva pessimista de o País continuar crescendo no ritmo dos últimos quatro anos, o Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 8,83 trilhões só será atingido em 75 anos, ou em 2089, segundo projeção feita por Staviski.
Segundo ele, uma das maiores dificuldades será atingir o nível de investimento de 20% do PIB até 2020, como prevê o relatório. "Não temos como crescer se governo e iniciativa privada não investirem mais. Mas, não há sinal de que isso vai acontecer de forma significativa", afirma.
Ele lembra que o Brasil tem problemas estruturais que dificultam o desenvolvimento do País. Um deles é a educação. "Embora a oferta de ensino tenha aumentado nos últimos anos, não houve melhora qualitativa", afirma.
O próprio estudo da EPE mostra que o índice de repetência no ensino fundamental no Brasil é de 18,7% contra 2,9% da média mundial. Já o índice de abandono nos primeiros anos de educação é de 13,8% contra 2,2% no mundo. "Eu vejo alunos que entram na faculdade (de economia) que têm dificuldade com as quatro operações matemáticas", conta.
Outra área importante para o desenvolvimento econômico que vem sendo negligenciada é a de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Entre países emergentes e desenvolvidos, o Brasil é um dos que menos investem nela. E não é só o governo, mas a iniciativa privada também. Em relação ao PIB, os investimentos são de 0,61% e de 0,55%, respectivamente (ver quadro).
"O período que vai dos anos 1990 até a crise de 2008 foi áureo para a economia mundial e nós conseguimos crescer abaixo da média. Temos muitas fragilidades", critica. (N.B.)





