No Real, comércio teve ganho de produtividade
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
O Plano Real trouxe ganhos de produtividade para o comércio. As lojas de varejo estão vendendo um volume maior de produtos, faturando mais com menos funcionários e o ajuste da mão-de-obra ainda não terminou. Esse é o resultado de uma sondagem com 125 de lojas dos mais variados segmentos do varejo, realizada em junho pelo Centro de Tecnologia do Varejo do Senac de São Paulo.
Os dados revelam que 70% do entrevistados declararam que as vendas físicas cresceram depois da estabilização, 67% informaram que estão faturando mais e 48% reduziram o número de empregados, especialmente por conta da terceirização de alguns serviços - uma tendência forte no setor após o Real.
Ainda há muito espaço para demissões, observa Walter Belik, economista da Unicamp e da Fundação Getúlio Vargas, responsável pela sondagem e que participa da 2ª Convenção Internacional do Varejo que termina hoje em São Paulo.
Cerca de 60% dos entrevistados, explica, disseram que estão com o quadro de funcionários em níveis ideais, faltando, portanto, um parcela grande (40%) a ser ajustada. Segundo Belik, a perspectiva é aumentar o emprego no varejo em geral, embora as empresas individualmente pretendam fazer cortes.
Essa tendência já foi apontada pela Pesquisa por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estística (IBGE). Entre 1982 e 1995, o índice de crescimento da população ocupada no comércio foi de 4,8% ao ano, enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) aumentou 2,9% ao ano. Nesse período, a indústria, que respondia pela ocupação de 15% da força de trabalho em 1982, passou a deter 12% em 1995. Já o comércio ampliou a participação de 10% para 13% da mão-de-obra total ocupada, aponta o levantamento.
Outro dado relevante dos números da PNDA é que, ao contrário do que se imagina, a informalidade na contratação de funcionários não é pequena no comércio. Cerca de 67% da força de trabalho do varejo tem carteira assinada, ante 29% na agricultura, 58% na prestação de serviços e 70% no funcionalismo público.
Quanto aos salários pagos aos comerciários, oscilam entre dois e cinco mínimos que é, na avaliação do economista, uma remuneração mais satisfatória do que a média da indústria e da agricultura. Isso acaba com o mito de que o varejo paga salários menores do que outros setores, afirma o técnico.
Além das lojas terem faturado mais nos três primeiros ano do Plano Real, os consumidores também saíram ganhando, segundo a pesquisa. Sondagem do Senac mostra que a maioria dos lojistas (55%) reduziu a venda de artigos de qualidade inferior e 60% deles passaram a comercializar artigos de melhor qualidade, embora o preço unitário ao consumidor tenha diminuído. Quanto à quantidade de itens comercializados em uma linha de produto, 58% dos comerciantes disseram que ampliaram os volumes, enquanto 65% deles declararam que passaram a trabalhar com artigos importados a partir do Plano Real.


