No primeiro boletim do ano, BC reduz estimativa de PIB
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de janeiro de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O Banco Central (BC) divulgou o primeiro boletim Focus do ano que avalia as projeções do mercado nacional por meio de diversos índices e constatou leve redução no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2013, caindo de 3,3% em dezembro para 3,26% em janeiro. Já o cenário para a inflação também sofreu pequenas mudanças, com o IPCA-15 aguardado pelo mercado para 5,49%, ante 5,4% do último levantamento realizado no mês passado. Apesar da expectativa do crescimento do PIB ser maior do que do ano passado que deve fechar na casa de 1% - tanto economistas quanto representantes do comércio e indústria consultados pela FOLHA não veem a ascensão dos números com grande otimismo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB oficial de 2012 será divulgado na primeira semana de março.
Para o economista e professor da Trevisan Escola de Negócios, Claudio Gonçalves, não será tranquilo para o governo brasileiro atingir a casa dos 3% no PIB. Ele explica que outros pacotes de estímulos tanto micro como macroeconômicos terão que ser trabalhados neste primeiro trimestre de 2013. "É preciso criar condições para que o mercado interno consuma, já que passamos por um cenário de cautela no exterior, com a zona do Euro lidando com diversos problemas e os Estados Unidos trabalhando com os ajustes fiscais", salientou o economista.
Na opinião de Gonçalves, será preciso liberar ainda mais crédito no mercado nacional, além da presidente Dilma Rousseff continuar a briga com as instituições financeiras para diminuir os spreads bancários. "A desoneração da folha de pagamento e fiscal das empresas no ano passado foi um início. O governo já aceitou conviver com a inflação entre 5% e 5,75% para voltar a ver a economia do País crescer", declarou.
Em relação à taxa básica de juros (Selic), o economista acredita que no primeiro semestre ela deve continuar em 7,25%, o mesmo que publicado no boletim Focus deste mês. Já no segundo semestre, caso as novas medidas governamentais não tenham o efeito necessário, o especialista estima uma queda para 7%. "Dependendo dos resultados do primeiros seis meses, isso pode acontecer. Um ponto que seria interessante neste caso é que pode atrair capitais estrangeiros, o que auxilia no financiamento do déficit público", complementou.

Leia também:
- Comércio e indústria esperam crescimento moderado


