O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, passou o dia, ontem, reunido com a direção da Volkswagen na fábrica da Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo. Marinho informou, pela manhã, que negociava com a empresa a revisão de ''parte das três mil demissões'' anunciadas na quinta-feira.''Se isso acontecer, podemos caminhar para uma solução alternativa'', afirmou, acrescentando que os trabalhadores admitem flexibilizar as condições de trabalho, ''só não aceitamos essa falsa garantia de emprego''

O sindicato mantém para amanhã de manhã a assembléia que pode decidir pela greve. Temendo a ocupação da fábrica, a Volks retirou boa parte dos 20 mil carros que estavam estocados nos pátios. Também retirou máquinas e equipamentos, que foram levados para empresas da região, como a Vigorelli e a Karmann Ghia. Os veículos foram levados para os pátios das transportadoras que prestam serviços para a Volks. Marinho afastou protestos violentos e disse que a direção da Volks não precisa se preocupar. ''Não faremos qualquer depredação do patrimônio, mas nosso movimento vai surpreender''.

A proposta original da Volks era de redução de jornada e salários em 15%, rotatividade anual de 6% do número de funcionários e nova tabela com salários em média 30% inferiores aos atuais para futuras contratações. A redução da jornada e dos salários já foi negociada com os 6,5 mil funcionários da unidade de Taubaté. A empresa insiste na necessidade de reestruturação da fábrica do ABC que, segundo ele, paga os salários mais altos entre as montadoras. Um operário da Volks Anchieta ganha salário médio de R$ 1,7 mil, enquanto na fábrica recentemente inaugurada no Paraná e média é de R$ 660. ''Nós fazemos carros para os clientes e eles não compram só porque são produzidos em São Paulo'', disse Hebert Demel, presidente da montadora no Brasil.

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