No PR recuperação da indústria só no 2o semestre
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quinta-feira, 04 de junho de 2009
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A produção industrial deve ter uma recuperação lenta a partir do segundo semestre deste ano. Mesmo que ocorra redução dos juros e um melhor desempenho da economia internacional, a indústria ainda deve demorar um pouco para apresentar resultados mais positivos. Na indústria de madeira, um dos setores que teve maior queda na produção em abril, a previsão é que a diminuição nas exportações persista até setembro. No mercado interno, a expectativa é que ocorram pequenas recuperações mês a mês com os programas que o governo federal criou na área de financiamento imobiliário. Isso deve alavancar a construção civil que utiliza madeira como insumo. As opiniões são do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Antonio Rubens Camilotti e do coordenador do curso de economia da FAE, Gilmar Mendes Lourenço.
No Paraná, a produção industrial ficou praticamente estável em abril (-0,1%) comparado com março. Enquanto isso, no País houve um aumento de 1,1% na produção. Em abril comparado com o mesmo mês de 2008 houve uma queda de 2,8% no volume fabricado pelas indústrias paranaenses. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional do IBGE, nove dos 14 setores pesquisados no Estado tiveram queda na produção em abril. Os segmentos que mais contribuíram para o índice negativo foram veículos automotores (-32,4%), máquinas e equipamentos (-26%) e madeira (-23,8%).
Lourenço explicou que a redução na produção de veículos é reflexo direto da crise. Em máquinas e equipamentos foi o efeito da crise ampliado pela instabilidade do agronegócio. Já a área de madeira foi afetada pela desvalorização do dólar e pela perda da competitividade no mercado internacional. ''A crise pegou pesado os eixos dinâmicos (automóveis, agronegócio e madeira) da economia paranaense'', disse. Ele lembrou que o agronegócio estava se recuperando da crise do período de 2004 a 2006, mas sentiu de maneira imediata a queda das commodities.
Para a indústria de madeira influenciou ainda a queda dos preços mundiais. ''As empresas não conseguem trabalhar e estão diminuindo a atividade'', declarou. Ele lembrou ainda que, desde janeiro, o governo Requião suspendeu a devolução de impostos garantidos pela Lei Kandir. Com isso, esse crédito passou a ser um custo para as indústrias. A Lei prevê que o exportador seja isento dos impostos estaduais.
Além disso, ele disse que a construção civil em ritmo mais lento consome menos madeira. O setor também teve uma queda de 51% nas exportações de janeiro a abril em relação ao mesmo período de 2008.
Nos primeiros quatro meses do ano, a produção do Paraná caiu 1,4% e nos últimos 12 meses houve um aumento no índice de 4,8%. Esse último resultado foi o mais baixo desde julho de 2007, quando houve um crescimento de 4,5%.
Nacional - Em abril comparado com março, a produção industrial cresceu em sete dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, com destaque para Espírito Santo (7,1%), Goiás e Rio Grande do Sul (ambos com 2,3%) e Ceará (1,7%). São Paulo (1%), Minas Gerais (0,6%) e Santa Catarina (0,5%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas. Bahia (-11%), região Nordeste (-5,1%) e Amazonas (-5%) apresentaram os maiores recuos.
Comparado com abril de 2008, os 14 locais tiveram queda. As reduções maiores ocorreram no Espírito Santo (-26,7%), Minas Gerais (-21,6%), Amazonas (-21,1%) e Bahia (-20,4%).


