O governador Jaime Lerner (PFL) manifestou ontem apoio integral às medidas tomadas pela equipe econômica do presidente Fernando Henrique (PSDB) de desvalorização do real frente ao dólar. ‘‘As medidas já vinham sendo estudadas há uma semana. A flexibilização da política cambial permite a redução da taxa de juros. São mudanças normais dentro de uma política econômica. Nós apoiamos. Foi uma correção de um percurso da política econômica’’, considerou o governador do Paraná (foto).
Defensor da redução da taxa de juros, Lerner ressaltou que o pedido de demissão de Gustavo Franco, do Banco Central, não teve relação com a reunião de governadores promovida em São Luís, na última terça-feira. Lerner participou do encontro que reuniu governadores aliados do governo federal. ‘‘Tenho a impressão de que as decisões ocorreram paralelamente à posição (de moratória) assumida pelo governador de Minas, Itamar Franco e à nossa reunião’’.
Assim como o governador se mostrou favorável à demissão de Gustavo Franco e à desvalorização do real, o setor empresarial e economistas paranaenses também se mostraram favoráveis. ‘‘A correção cambial é um estímulo à exportação e fará com que os juros baixem’’, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho. Ele disse que não havia outra alternativa para o governo federal.
Os economistas, que há quase um ano defendem um ajuste mais forte no câmbio, comemoraram a queda de Gustavo Franco, um dos defensores da manutenção da atual política cambial que previa uma desvalorização em ‘conta-gotas’. ‘‘A medida adotada pelo novo presidente do Banco Central vai oxigenar a nossa economia’’, afirmou o presidente do Conselho Regional de Economia, Luiz Eduardo Sebastiani, que descarta a possibilidade de volta da inflação, pois a economia é mais indexada ou dolarizada.
O presidente do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial do Paraná, Fernando Miranda, disse que a desvalorização impulsionará a exportação, reduzindo o déficit da balança comercial. A estimativa de déficit gira em torno de US$ 5,5 bilhões, para o período de 1998. ‘‘Aproximando nossa moeda da realidade poderemos ter vantagens até mesmo nas negociações com o euro’’, afirmou Miranda.

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