O departamento de penhor da Caixa Econômica Federal é uma das opções mais procuradas por candidatos a empréstimos que não conseguem comprovar rendimentos para obter crédito nas financeiras e também pelos que tentar fugir dos juros astronômicos. É uma saída mais sensata: a taxa de juro é de 5% ao mês.
Mas muitos dos que entregaram em garantia à Caixa objetos de valor acabam renovando indefinidamente o empréstimo por total incapacidade de saldar a dívida. As operações podem ser renovadas a cada 28, 56 e 84 dias. ‘‘Há empréstimos sendo rolados há cinco anos’’, revela a gerente da Caixa em Curitiba, Anisia Maia dos Santos.
Ela explica que antes o sistema era diferente e as pessoas eram obrigadas a resgatar o objeto no prazo fixado quando o contrato era fechado. Agora há a possibilidade de renovação. Mesmo assim, muitas não aparecem mais para pagar as dívidas e resgatar os objetos penhorados e nem mesmo para renovar o contrato. Assim, a Caixa promove regularmente um leilão. O próximo, reunindo cerca de 300 lotes, está marcado para terça-feira.
O desempregado Demival de Carvalho, de 28 anos, estava penhorando na sexta-feira um relógio de ouro de sua mulher para ‘‘levantar um dinheiro com urgência’’. Ele disse que está há 10 meses sem emprego e não consegue novo trabalho. Demival era frentista num posto de gasolina e ganhava R$ 350 por mês, mas resolveu sair do emprego acreditando que logo conseguiria outro. ‘‘Até hoje não consegui nada’’, disse.

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