Curitiba A crise chegou à mesa do paranaense. Depois de cortar superflúos e reduzir custos, as pessoas estão comprando menos comida. As vendas industriais de produtos alimentares no Paraná caíram 15,29% no primeiro semestre deste ano. Para tentar reverter a deterioração da economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudanças na política econômica.
''Quando a população compra menos comida, é porque já apertou o cinto o quanto podia'', afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, também vice-presidente da CNI. Segundo ele, o governo federal deve ser mais ousado nas decisões econômicas. Entre as medidas propostas pela indústria para evitar a recessão, que constam em carta entregue na madrugada de ontem ao presidente, estão a queda da taxa de juros; a redução dos depósitos compulsórios dos bancos e redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que hoje é de 12%.
A taxa Selic, hoje em 24,36%, caiu apenas dois pontos percentuais neste ano, enquanto o aumento entre outubro de 2002 e fevereiro de 2003 foi de 8,5 pontos. O depósito compulsório atual é de 68%. Ou seja, de cada R$ 100,00 depositados em um banco, R$ 68,00 são recolhidos pelo Banco Central. ''Os outros R$ 32,00 são usados para programas já consolidados de educação, habitação. Não sobra nada para o empresário investir'', afirmou Carvalhinho.
A indústria brasileira também pede ao governo federal definição sobre a política energética nacional e investimentos em programas de infra-estrutura e habitação. A CNI pede ainda respeito à propriedade privada e aplicação das decisões judiciais de reintegração de posse. A reforma da Previdência, aprovada pelo Congresso em primeiro turno, foi apoiada pelos industriais. O setor, no entanto, não concorda com o texto da reforma tributária feito pelo governo, que ainda será votado. ''O texto aumenta a carga tributária e a indústria não quer isso, mas sim aumento da base para o governo arrecadar mais'', disse Carvalho.
Se essas modificações não forem feitas, Carvalho acredita que a indústria brasileira vai fechar o ano no vermelho. ''Nossa esperança é o quarto trimestre'', disse.
De acordo com levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor já está estagnado. No primeiro semestre do ano, a indústria brasileira apresentou leve crescimento de 0,1%. ''São necessárias medidas fortes, na mesma proporção que foram tomadas para conter a inflação. O remédio amargo (alta dos juros) foi necessário, mas está na hora de ousar'', acrescentou.

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