No Paraná, setor de agronegócio está estagnado há 4 anos
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Nos últimos quatro anos, o setor do agronegócio no Paraná está estagnado em um terço do PIB do Estado, o que corresponde a aproximadamente R$ 18 bilhões. A falta de espaço desse setor no bolo da economia deve-se mais ao crescimento de setores que antes não existiam, como o de metalmecânica (incluindo a indústria automotiva e todos os seus fornecedores), do que ao decréscimo do segmento, avalia Gilmar Lourenço, coordenador do núcleo de Economia do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social).
Nos últimos 10 anos, a participação do agronegócio brasileiro na formação do Produto Interno Bruto brasileiro caiu de 32% para 20,6%, conforme pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agribusiness (ABAG) e divulgada ontem pela Folha.
O técnico destacou que essas informações devem ser encaradas com cautela porque o setor foi usado pelo governo federal como anteparo foi a âncora verde no início do Plano Real. Enquanto isso, nesse período, outros setores da economia passaram por reestruturações e processos de modernização que estão resultando no crescimento econômico. É óbvio que esse processo também está se refletindo no Paraná, ressaltou.
Para Lourenço, a médio prazo a participação do agronegócio paranaense poderá ser ainda menor no PIB do Estado, não por perda de dinamismo do setor mas pelo crescimento de setores emergentes. Só a indústria automotiva e seus fornecedores de primeira linha investiram R$ 5 bilhões no Paraná. Dentro de quatro ou cinco anos, essas fábricas deverão estar operando com plena capacidade e o retorno do investimento vai ampliar a participação da metalmecânica no PIB paranaense, o que antes não existia.
De acordo com Lourenço, o Paraná está numa posição intermediária: nem é um mero processador de matéria-prima agroindustrial e tampouco um grande produtor de alimentos prontos. Ele cita como exemplo o caso do complexo soja, em que as atividades existentes no Estado se resumem à produção de farelo para exportação. Mas não refinamos o óleo. Da mesma forma ocorre com o setor de frigoríficos. Boa parcela das atividades dessas empresas se concentra no abate de animais. Mas a industrialização de carnes ocorre fora daqui.
Apesar disso, vislumbra-se um potencial expressivo para o agronegócio do Paraná. Lourenço adianta que o Programa Paraná Agroindustrial que está sendo empreendido pelo governo do Estado vai estimular a maior diversificação do setor agroindustrial para agregar mais renda à produção.


