No Paraná a erradição de cafezais vem se acentuando. Paulo Franzini, gerente do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Dera), informa que em 2000 o Estado tinha 170 mil ha de café hoje há 93 mil. ''O ideal seria mantermos entre 150 e 200 mil hectares para suprirmos a demanda potencial das indústrias instaladas no Estado.'' Ele diz que as empresas têm potencial para consumir entre 3 e 3,5 milhões de sacas por ano e o Paraná produz 2 milhões de sacas/ano.
Segundo ele, é preciso aumentar a área de produção, mas muitos cafeicultores estão desistindo da atividade, principalmente os médios e grandes produtores que já trabalham com outras culturas estão erradicando os cafezais. Franzini diz que o governo tem trabalhado para incentivar os agricultores a manterem a produção, mas elevação nos custos, principalmente por causa da mão de obra, preços dos fertilizantes e valorização do real frente ao dólar têm feito muitos desistirem.
Em 2007 o governo liberou mais de R$ 300 milhões para a revitalização das áreas de café no Paraná, mas de acordo com Franzini, muito pouco desses recursos foram utilizados pelos produtores. ''Em 2010 vamos voltar a discutir porque essa medida surtiu pouco efeito, muitos não tiveram acesso ao dinheiro ou por estarem inadimplentes ou por não se enquadrarem no perfil da agricultura familiar já que esses recursos estão atrelados ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).''
Franzini quer discutir uma forma de estender esses recursos a todos os produtores de café, utilizando verbas na capacitação dos produtores e buscando alternativas para que eles dependam menos de mão de obra. ''Aumentar o uso de máquinas nas colheitas é uma alternativa. Nos últimos três anos as indústrias estão disponibilizando mais máquinas e por isso o preço tem caído.''
Ele defende que os agricultores precisam aprender a fazer a gestão dos recursos da propriedade e também focar no aumento da produtividade. ''É preciso preparar a lavoura para produzir mais. Sabemos que isso é possível porque temos observado que produtores que trabalham dessa forma têm aumentado a renda e investido em novas áreas.'' (C.P.)

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