No Paraná, estiagem reduz produção de soja, milho e feijão
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Reportagem Local 
Chuvas irregulares e mal distribuídas marcaram o mês de janeiro no Paraná, com reflexo direto na agricultura. Desde novembro do ano passado houve episódios de estiagem em diversas regiões produtoras, com prejuízos em lavouras de soja, milho e feijão. "Essa perda é sempre maior quando a seca ocorre nas fases críticas da lavoura, como florescimento e enchimento de grãos", explica a agrometeorologista Heverly Morais, do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná). Ela conta que as temperaturas máximas no mês superaram a média histórica em várias regiões do Estado, que teve o janeiro mais quente desde que começou a ser feito o acompanhamento e registro nas estações meteorológicas, em 1975. "A presença de uma massa de ar quente, chamada de Alta Subtropical do Atlântico Sul (Asas), na costa Sudeste do Brasil, bloqueou a circulação das frentes frias que trariam chuvas abrangentes e duradouras", explica a agrometeorologista.
De acordo com a última projeção do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em razão da estiagem a produção paranaense de soja deve ser reduzida em 14% - das 19,5 milhões de toneladas inicialmente previstas, estima-se uma colheita de 16,8 milhões de toneladas.
Para o feijão primeira safra, a estimativa é colher 260 mil toneladas, 61 mil a menos do que a estimativa inicial. No milho, a projeção inicial apontava uma colheita de 3,3 milhões de toneladas, agora atualizada para 3,1 milhões.
PREVENÇÃO
Lavouras implantadas em solos bem manejados toleram mais a seca, afirma a agrometeorologista. Ela preconiza a rotação de culturas para obter proteção e enriquecimento com a palhada e a matéria orgânica. E acrescenta que as raízes de algumas plantas, como girassol e braquiária, ajudam a descompactar o solo, o que melhora sua aeração e, consequentemente, a eficiência na absorção de água e de nutrientes pelas culturas comerciais.
Plantas de cobertura também fazem a reciclarem de nutrientes, que, eventualmente, podem até diminuir a necessidade de adubação química nas lavouras comerciais, com redução de custos para o agricultor.
Heverly Morais recomenda utilizar cultivares de diferentes ciclos - precoce, médio e tardio - com o objetivo de evitar que todos os talhões da lavoura fiquem igualmente expostos à adversidade climática.


