No Paraná elas somam 42% da força de trabalho
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domingo, 07 de março de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A participação da mulher no mercado de trabalho já chega a 42,47% no Paraná e cresce a cada ano. Em 1990, esse percentual atingia apenas 34,43%. Apesar da presença mais intensa, a diferença salarial em relação aos homens ainda é grande e chega a 16,40%, em média. Ao incluir o mercado formal nesta análise, a diferença pode atingir 39%. As informações são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em janeiro de 2010, o salário médio delas no Estado era de R$ 1.174,42 e o deles de R$ 1.404,85.
Há algumas razões para explicar essa distinção de salários. O economista do Dieese, Sandro Silva, disse que as mulheres ocupam funções em setores mais vulneráveis nos quais há grande informalidade. Além disso, elas atuam em setores que têm uma média salarial baixa como nas indústrias de vestuário, alimentação, no segmento de serviços e de hotéis e restaurantes. E também têm dificuldade para alcançar cargos superiores. Outro fator que influencia o trabalho é conciliar a profissão com a família e a maternidade.
Os dados revelam ainda que, quanto maior o grau de instrução, maior é a diferença salarial. As mulheres que têm o ensino superior incompleto ou completo, por exemplo, ganham 38,80% a menos que os homens, já as que possuem o ensino fundamental incompleto ou completo, recebem 28,04% a menos.
Ainda em relação a questão salarial, as mulheres que ganham menos têm maior participação no mercado de trabalho em relação às que possuem rendimentos maiores. As que recebem até cinco salários mínimos têm participação de 43,23% enquanto as que ganham mais de 20 salários mínimos possuem uma fatia de 28,17% do mercado.
As mais jovens também têm uma participação maior no mercado. As mulheres com até 29 anos representam 41,93% do mercado. Já as com idade acima de 50 anos, atingem 38,22%. Silva explica que isso mostra ainda resquícios da questão cultural quando as mulheres não atuavam tanto no mercado.
Elas são 51,51% da população do Paraná, ou seja, maioria. Representam 51,79% da População em Idade Ativa (PIA) e 44,61% da População Economicamente Ativa (PEA). No entanto, a taxa de desemprego ainda é maior entre elas. Para os homens este índice é de 3,60% enquanto para as mulheres de 5,80%.
Silva lembrou que a inserção maior da mulher no mercado aconteceu na segunda metade da década de 90 quando a economia não crescia, houve queda do poder aquisitivo e aumento do desemprego. Com isso, elas buscaram o trabalho para ajudar a compor a renda familiar ou até ser o rendimento principal da casa.


