Altos dirigentes dos diferentes partidos, incluindo os do governante Partido Colorado, admitiram ontem terem realizado várias reuniões durante o fim de semana para analisar possíveis saídas para o caso de uma eventual renúncia do presidente Luis González Macchi. O mandatário pediu ontem – e foi atendido – que todos os seus ministros colocassem seus cargos à disposição para facilitar uma remodelação do gabinete.
As hipóteses de uma renúncia, ou até mesmo de um levante militar contra o presidente, foram levantadas na semana passada devido à péssima situação econômica do País, acompanhada de demandas sociais sem precedentes e à perda, por parte de González Macchi, do apoio político de seus aliados, inclusive o do Movimento de Reconciliação Colorada.
Enquanto o próprio presidente, ao deixar o Palácio de Governo em direção à sua residência oficial, informava à imprensa que ‘‘tudo ficou para (ser decido na) quinta-feira’’, Carlos Mateo Balmelli, principal assessor do vice-presidente Julio César ‘‘Yoyito’’ Franco – do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLR) – admitia ter mantido contatos com diferentes correntes do Partido Colorado para tratar do tema de uma possível sucessão presidencial.
‘‘Estamos preparando planos de contingência. Isto não significa que o PLRA esteja desestabilizando o governo e sim que, diante de uma situação de incerteza e fragilidade política..., o vice-presidente seria um irresponsável se não preparasse um plano de emergência’’, disse.
Caso González Macchi renuncie, normalmente ‘‘Yoyito’’ Franco deveria sucedê-lo no cargo – e é isto que seus correligionários no PLRA vêm reivindicando. Como titular do Congresso, González Macchi assumiu a presidência em março de 1999, após o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña e a renúncia do então presidente Raúl Cubas.
A Constituição nacional, no entanto, exige que tanto o presidente como o vice-presidente sejam eleitos em eleições nacionais. O que foi cumprido apenas no caso de Franco, que impôs uma dura derrota eleitoral ao candidato colorado Félix Argaña (aliado de González Macchi) nas eleições vice-presidenciais de agosto de 2000. Na semana passada, Franco recusou um pedido de González Macchi para participar de um governo de coalizão que incluísse membros do PLRA.

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