No Paraguai, risco de renúncia
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segunda-feira, 12 de março de 2001
Agência Estado De Assunção 
Altos dirigentes dos diferentes partidos, incluindo os do governante Partido Colorado, admitiram ontem terem realizado várias reuniões durante o fim de semana para analisar possíveis saídas para o caso de uma eventual renúncia do presidente Luis González Macchi. O mandatário pediu ontem e foi atendido que todos os seus ministros colocassem seus cargos à disposição para facilitar uma remodelação do gabinete.
As hipóteses de uma renúncia, ou até mesmo de um levante militar contra o presidente, foram levantadas na semana passada devido à péssima situação econômica do País, acompanhada de demandas sociais sem precedentes e à perda, por parte de González Macchi, do apoio político de seus aliados, inclusive o do Movimento de Reconciliação Colorada.
Enquanto o próprio presidente, ao deixar o Palácio de Governo em direção à sua residência oficial, informava à imprensa que tudo ficou para (ser decido na) quinta-feira, Carlos Mateo Balmelli, principal assessor do vice-presidente Julio César Yoyito Franco do opositor Partido Liberal Radical Autêntico (PLR) admitia ter mantido contatos com diferentes correntes do Partido Colorado para tratar do tema de uma possível sucessão presidencial.
Estamos preparando planos de contingência. Isto não significa que o PLRA esteja desestabilizando o governo e sim que, diante de uma situação de incerteza e fragilidade política..., o vice-presidente seria um irresponsável se não preparasse um plano de emergência, disse.
Caso González Macchi renuncie, normalmente Yoyito Franco deveria sucedê-lo no cargo e é isto que seus correligionários no PLRA vêm reivindicando. Como titular do Congresso, González Macchi assumiu a presidência em março de 1999, após o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña e a renúncia do então presidente Raúl Cubas.
A Constituição nacional, no entanto, exige que tanto o presidente como o vice-presidente sejam eleitos em eleições nacionais. O que foi cumprido apenas no caso de Franco, que impôs uma dura derrota eleitoral ao candidato colorado Félix Argaña (aliado de González Macchi) nas eleições vice-presidenciais de agosto de 2000. Na semana passada, Franco recusou um pedido de González Macchi para participar de um governo de coalizão que incluísse membros do PLRA.


