O desemprego no País começou a dar sinais de queda no ano passado, atingindo uma taxa média de 7,1%. O índice, o menor em três anos, é inferior aos registrados em 1998 e 99, quando a crise econômica elevou o porcentual para 7,6%. A taxa de dezembro, de 4,8%, foi a menor deste mês desde 97, no início da crise asiática. Apesar dos dados positivos, o índice de desemprego acumulado de 2000 é o segundo maior da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada há 18 anos.
O desempenho de dezembro, o melhor do ano passado, foi resultado do aumento do número de contratações temporárias nos setores de comércio e serviços. A taxa do mês foi menor que a de novembro do mesmo ano (6,2%) e dezembro de 99 (6,3%). A gerente da Pesquisa de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, lembra que o último mês do ano tradicionalmente registra queda no desemprego e destaca também a baixa base de comparação de 99, um ano de crise.
Outro motivo a ser destacado no reduzido índice de dezembro é a influência do número de pessoas desocupadas (procurando emprego). A chegada das férias, segundo Shyrlene, levou ao adiamento da busca por uma vaga no mercado de trabalho. O resultado é que a população desocupada caiu de 1,1 milhão em novembro para 869,9 mil em dezembro, uma queda de 23,3%. Por outro lado, o número de pessoas ocupadas permaneceu praticamente estável em 17,3 milhões.
Apesar dos fatores sazonais e da forte influência dos desocupados na taxa final de dezembro, a economista do IBGE avalia que o País está vivendo um momento de recuperação do nível de emprego. O argumento é que o crescimento econômico está elevando a confiança dos empresários, que em resposta à elevação da procura por seus produtos aumentam a contratação formal de funcionários.
Shyrlene cita como exemplo dessa mudança o aumento do número de empregados com carteira assinada em dezembro (3,8%), superior ao crescimento dos trabalhadores sem carteira assinada (2,7%) no período.
No que diz respeito ao rendimento, os trabalhadores continuaram perdendo em 2000. A taxa acumulada até novembro (último dado computado pelo IBGE) apresentou queda de 0,8% no rendimento real, porcentual que Shyrlene considera como ‘‘estável’’.
A economista admite que o rendimento do ano passado deverá ser menor do que o de 99, já que somente um aumento de 15% do índice em dezembro possibilitaria um fechamento positivo no ano. Mas, segundo ela, ‘‘com certeza’’ a taxa final será bem melhor do que a de 99, quando o rendimento dos trabalhadores foi reduzido em 6% sobre o ano anterior.

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