O nível de produção da indústria em dezembro foi recorde, superando em 6,8% o ponto máximo anterior, registrado em dezembro de 1994 – período de maior aquecimento de consumo do Plano Real. Foi o mês de maior atividade industrial de toda a série histórica da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1971.
Com isso, a expansão da produção industrial em 2000 foi de 6,5%, mais do que compensando as quedas de 2,1% em 1998 e 0,7% em 1999. Foi o maior aumento de produção desde 1994, que registrou crescimento de 7,6%. ‘‘Foi uma surpresa porque esperava-se uma redução no ritmo de crescimento no fim do ano, até porque no fim de 1999 a indústria já estava crescendo muito’’, observa o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales.
Essa redução, no entanto, não ocorreu. A produção industrial aumentou 7,2% de novembro para dezembro, descontando as variações típicas desses meses. Foi o maior aumento registrado de um mês para o seguinte desde dezembro de 1994, o primeiro Natal do Real, quando o aumento em relação a novembro foi de 8,4%. Em relação a dezembro de 1999, a expansão da produção industrial chegou a 7,5%.
Sales disse que as exportações tiveram um papel secundário no aumento da produção industrial em 2000. ‘‘O predominante mesmo foi o mercado interno e o comportamento do consumidor, principalmente, em relação aos bens duráveis’’, afirmou. Este segmento inclui automóveis e eletrodomésticos.
O segmento de bens de capital (como máquinas e equipamentos) aumentou em 12,7% a sua produção, evidenciando aumento do investimento ‘‘não só industrial, como também em outros setores, como a agricultura’’, segundo Sales. No setor de duráveis, o aumento de consumo se deveu não ao aumento de renda, mas quase exclusivamente às medidas que facilitaram o crédito.
As exportações do setor de bens de capital aumentaram 42,3% de janeiro a novembro de 2000 em relação ao mesmo período de 1999. A produção de bens intermediários (aço, plástico e papelão) cresceu 6,9% e no ano passado operou em níveis recordes de produção.
Já a categoria de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (como alimentos, bebidas, cigarros e combustíveis) mostrou redução de 1% na sua produção. A principal pressão de queda na produção industrial foi a da indústria alimentar, que diminuiu em 2,7%.
O crescimento na produção industrial foi observado em 15 dos 20 ramos pesquisados pelo IBGE. Os setores de maior crescimento foram o de materiais de transportes (18,9%), mecânica (18%), extrativo mineral (11,9%), material elétrico e de comunicações (11,9%) e metalúrgica (7,6%). (AE)

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