Brasília – Ao contrário do Paraná, o Brasil apresentou saldo negativo de empregos formais. Em fevereiro, foram fechados 2,4 mil postos de trabalho. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi o pior para o mês nos últimos 16 anos. O ministro Manoel Dias apontou a operação Lava Jato como um dos motivos que afetaram o resultado. "Certamente, nesse primeiro momento, a Lava Jato influenciou em redução de emprego", avaliou.
Para ele, o impacto é visível no Brasil inteiro. Ele lembrou que muitas empresas que prestam serviços à Petrobras já apresentam dificuldades e ressaltou os problemas da estatal. "A própria Petrobras, que tinha uma previsão de investimentos de R$ 50 bilhões, prevê uma redução de 20%", disse.
Na opinião de Dias, os problemas são claramente percebidos na construção civil. O setor fechou 25 mil vagas em fevereiro. "(A Lava Jato) tem influência, na medida em que serão repactuados esses contratos", disse. O ministro espera que o quadro melhore com o avançar das investigações e a assinatura de acordos de leniência com as empresas envolvidas.
O ministro lembrou ainda que a construção deve melhorar com investimentos do governo. Ele informou que o MTE, através do FGTS, já contratou R$ 8,7 bilhões nos primeiros dois meses do ano para a construção de 99 mil casas para pessoas de baixa renda. "Isso representa a geração de emprego de 285 mil novos postos", afirmou.
Outro fator apresentado por Dias para o fraco resultado de fevereiro é o ajuste fiscal promovido pelo governo. Ele espera, entretanto, que os setores reajam positivamente às medidas. O ministro ponderou que o resultado do mês passado reverteu uma expectativa negativa, se comparado com o saldo de janeiro, que teve menos 81 mil vagas. "A perda de novos postos, em torno de 2 mil, demonstra estabilidade", afirmou, antes de dizer que o número do mês "não foi excepcional".
O saldo de fevereiro ficou abaixo das expectativas do mercado. Alguns analistas de mercado chegaram a prever mais contratações que demissões.

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