Brasília - Dois milhões de pessoas sujaram o nome desde o começo do ano por não pagarem suas dívidas. Com isso, quatro em cada 10 brasileiros entre 18 e 95 anos já passaram a ser enquadrados como inadimplentes, um total de 56,5 milhões de consumidores. Nos cinco meses de 2015, o volume de calote cresceu 4,63%.
"O desemprego já nos atinge. O consumidor começa a atrasar pagamentos porque se desempregou", constatou ontem o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, ao divulgar os números do setor. Pioram o quadro do segundo trimestre, segundo ele, a alta da inflação e dos juros, que têm afetado a capacidade de pagamento das famílias.
Apenas em maio, a taxa de inadimplência subiu 4,79% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação a abril, a elevação foi de 1,20%. O comércio conseguiu escapar desse quadro negativo do mês passado e viu o volume de dívidas em atraso reduzido em 0,29% em maio ante mesmo mês de 2014, ao contrário do que ocorreu com o setor de água e luz (13,31%), comunicação (12,02%) e bancos (10,10%).
Pinheiro avaliou que o varejo consegue "fugir" mais dessas pendências por conta do uso do cartão de crédito, que leva a inadimplência para os bancos, o pagamento à vista pelo produto e financiamentos próprios, com taxas de juros mais baixas do que a das instituições financeiras.

Namorados

Além do repique do calote constatado desde março, o comércio sofre também com a perspectiva de esfriamento das vendas. Sondagem feita pela primeira vez pelas instituições para o Dia dos Namorados revela que 52% dos brasileiros pretendem gastar menos este ano na data em relação a 2014. O tíquete médio calculado pelo SPC e a CNDL para o período é de R$ 138,00 por presente - homens pretendem desembolsar R$ 164,00 e as mulheres, R$ 114,00. "Não está muito animador. Parece que muitos vão passar sem presentes", considerou Pinheiro.
A expectativa na melhor das hipóteses, portanto, é a de que o volume de vendas no período seja equivalente ao do ano passado. A economista do SPC, Marcela Kawauti, lembrou que o Dia dos Namorados no ano passado foi fraco, pois a data coincidiu com a abertura da Copa do Mundo de futebol. "Já havia uma pequena desaceleração da economia e um forte potencializador, que foi a Copa", comentou. "O resultado deve ser parecido com 2014, que já foi ruim", acrescentou.
Marcela lembrou também que, em função do aumento da inflação, os produtos estão mais caros do que no ano passado, o que deve fazer com que haja "substituição" de presentes por itens mais baratos. Tradicionalmente, roupas são os itens mais procurados para a data, seguidas de calçados e eletrônicos. A economista salientou ainda que metade das pessoas entrevistadas pelas entidades pretende comemorar a data em casa, o que também seria um reflexo da atividade econômica fraca. "É mais barato do que pagar pelos serviços", disse.

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