No mundo em transformação, ou se resiste a ela, ou aprende a mudar
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sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

Existe um mundo em transformação e você tem duas escolhas, resistir às mudanças, ou aprender para responder a novos desafios. A opinião é do professor de gestão da WP Carey Escola de Negócios da Universidade Estadual do Arizona e professor associado na Universidade Politécnica de Hong Kong, Rivadávia Drummond, que ministrou na quinta-feira (17) a palestra “Fazendo a inovação acontecer”, durante a terceira edição do Lidere, encontro empresarial organizado pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), no Villa Planalto, que tem a FOLHA como parceira.
Para o especialista em negócios, não há limitantes para que uma pessoa possa inovar, além da falta de vontade em aprender. Nas empresas, Drummond sugeriu que é preciso ter em mente o quanto do faturamento é subtraído por concorrentes digitais que não existiam há poucos anos e por que não se investe em deixar de ser fornecedor de informações para os que realmente lucram. “Seu objetivo é se tornar o lugar favorito do seu cliente quando ele tem algum problema a resolver, então é importante olhar para todos os fatores.”
Ele afirmou que a resposta depende, primeiramente, de quanto da cadeia de valor da organização se controla, por exemplo, em relação a insumo, produto, processo e resultado. “A segunda, que é a mais importante, é qual é o nível de intimidade que se tem com o cliente final e se você é o dono desse relacionamento? Quando falo de consumidor final, falo de entender quem ele é e de ter informações estruturadas e formais, que vêm de mídias sociais e e-mails”, explicou Drummond.
Porém, lembrou que as pessoas se escondem atrás de mitos, como o que somente jovens gênios podem inovar, sozinhos, em uma garagem, e com a criatividade como característica inata. “Nem mesmo com Steve Jobs foi assim. Inovação é um esporte de contato, é preciso engajar um time para esse negócio acontecer. É também coisa de jovem em startup, mas precisa de gente com experiência, com quilometragem, com rodagem, gente que esteve lá, já fracassou e aprendeu”, disse “Inovação, liderança e criatividade todos temos, todos podemos aprender e não há idade para isso acontecer”, completou o professor de gestão.
Como um dos casos de sucesso em inovação, Drummond apresentou um assunto sensível e falou da importância de enxergar a perspectiva de um clientes. Ele contou a experiência que teve ao modificar o setor de diagnóstico por imagem do setor de pediatria, do Hospital da Baleia, que é público e fica em Belo Horizonte (MG). “Eram tratadas crianças pobres, com câncer, e a área que mais se falava com terror era a infantil, pelas crianças em pânico e chorando para não entrarem no equipamento, e pais e funcionários estressados.”
Ele buscou em 2015 a experiência de um projetista de uma empresa fornecedora desse tipo de equipamento, que se assemelha aos de ressonância ou de tomografia. Com um equipamento antigo, papel contact, alto-falantes velhos de computador e ipads não usados, o designer transformou o exame em uma experiência lúdica.
“Com o tema ‘Nemo, o peixinho dourado no fundo do mar', ele chamava a molecada para uma antessala, contava a história e perguntava quem queria pegar o submarino para conhecer o Nemo. Quando as crianças abriam a sala, viam um equipamento todo decorado [com a temática naval, desenhos de embarcações e a entrada do submarino na abertura], então ele convidava a criança para ver o Nemo dentro do submarino”, explicou, ao projetar imagens do equipamento já decorado para o público do Lidere. “Eram três minutos de imagem, o peixinho aparecia no equipamento e era algo barato, que não quebra a empresa”, completou. Segundo Drummond, uma criança chegou a pedir à mãe para voltar no dia seguinte, tamanho o sucesso do experimento.


