No mercado de locação, a hora é do inquilino
A lei da oferta e da procura, que até quatro anos atrás favorecia o locador e obrigava o candidato à locação a aceitar aluguéis superestimados, agora mudou inteiramente de lado e favorece o inquilino, que pode encontrar boas oportunidades no mercado.
Na capital paulista, há cerca de 17 mil imóveis residenciais para alugar, para uma demanda de 6 mil unidades, segundo José Roberto Graiche, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic). De outubro de 1997 a setembro, o preço da locação caiu 11,38%, diante da inflação de 0,05%, medida pelo IPC da Fipe. Ainda assim, o preço do aluguel está acima do valor real de mercado. Isso, ao lado da procura reduzida e do mau estado de conservação dos imóveis, está dificultando o fechamento de negócios, diz Graiche.
O Secovi-SP, sindicato da habitação, em pesquisa divulgada no início do mês, constatou que, nos imóveis ofertados em bom estado de conservação e com preços compatíveis com o mercado, o tempo médio para fechar o contrato de locação é de 2,5 meses; unidades com preços elevados e malconservadas demoram muito mais tempo para ser alugadas.
O economista Cícero Yagi, coordenador da pesquisa do Secovi, explica que não é possível estabelecer uma comparação com o passado, quando uma unidade em oferta para aluguel era disputada por dezenas de candidatos. De toda forma, ele diz, está claro que preço e conservação do imóvel são condições determinantes para que as unidades sejam alugadas num período razoável.
O candidato à locação também está receoso de assumir novos compromissos, preocupado com um possível desemprego e achatamento da renda. Silvério Ribeiro Soares, diretor da imobiliária Agência I, diz que muitas vezes as pessoas deixam de fechar um contrato de locação por não chegar a um acordo em relação ao preço do aluguel por diferenças de R$ 30,00 ou R$ 50,00. Um valor que antes era considerado pequeno agora está fazendo diferença e, em alguns casos, inviabilizando o negócio.





