No lugar de grãos, plantas medicinais
Vânia Casado
De Curitiba
Por enquanto são apenas 25 produtores, em 60 ha, mas o aumento do consumo pode facilitar expansão da área
Pequenos produtores na Região Metropolitana de Curitiba estão trocando a produção de milho e feijão pelo cultivo de ervas medicinais, que tem se revelado mais rentável e menos exposto a riscos. A atividade que mobilizava apenas 25 produtores e 60 hectares, há 5 anos, hoje se expandiu para uma área de 1.472 hectares, cultivada por 240 produtores em todo o estado.
Com uma produção anual de quase 500 toneladas, as ervas medicinais já movimentam cerca de R$ 2 milhões por ano. São cerca de 80 espécies diferentes de ervas cultivadas diretamente e mais de 120 cultivadas indiretamente (coletadas no meio ambiente), aponta o engenheiro agrônomo Cirino Corrêa Júnior, coordenador do plantio de ervas medicinais da Emater-PR.
O crescimento foi impulsionado pelo aumento da demanda por esses produtos. Atualmente são mais de 300 empresas em todo o país que recorrem ao Paraná para comprar ervas medicinais. São laboratórios, farmácias de manipulação e atacadistas.
O aumento de consumo reflete a opção das pessoas por hábitos mais naturais e saudáveis. Segundo Corrêa, as pessoas estão deixando de consumidor remédios e drogas em excesso e partindo para o consumo de chás. Ao invés de tomar um comprimido para dor de cabeça, as pessoas estão preferindo tomar um chá para desintoxicar o organismo, destaca. Esse fenômeno está refletindo tanto no aumento de alimentos com cultivo orgânico como ervas medicinais. Corrêa salienta que todo o cultivo de ervas medicinais no Paraná é orgânico, sem a aplicação de agroquímicos.
A região metropolitana de Curitiba é a maior produtora de ervas no estado, com uma área plantada de 495 hectares, envolvendo 200 agricultores e uma produção de 172 toneladas de camomila. O município de Mandirituba se destaca como o maior produtor de camomila do país. O agrônomo aponta as condições de clima e solo do município, semelhantes ao clima europeu, como ideais para o cultivo da erva.
Corrêa admite que o custo de instalação de lavouras com ervas medicinais é alto, mas destaca que o retorno é maior, se comparado com o cultivo de grãos. O custo de instalação varia de R$ 500,00 a R$ 1.500,00 por hectare/ano, investimento que pode gerar uma receita bruta de R$ 2.000,00 a R$ 4.500,00 por hectare/ano, o que rende uma margem bruta de R$ 1.500,00 a R$ 3.000,00 por hectare/ano, calcula o técnico da Emater.
Desde que o cultivo de ervas medicinais começou a se expandir no Paraná, a importação reduziu, principalmente a partir desse ano após a desvalorização cambial. As importações de orégano da Argentina, mangerona e erva-doce foram substituídas pela compra da produção local. O técnico faz um alerta aos produtores interessados para evitar a superprodução e o excesso de oferta de produção no mercado.
Ele afirma que a produção de ervas medicinais é difícil, exige altos investimentos e o produtor precisa estar atento para o período da colheita, considerada a fase mais delicada do ciclo produtivo. Os produtores não podem perder o ponto de colheita para não afetar a qualidade da planta, ressalta. Além desses cuidados, os produtores precisam investir na compra de equipamentos como secadores, já que 98% das plantas devem ser dissecadas na hora da venda.
A Emater-PR vem se destacando na organização desse setor com a realização de cursos e treinamentos especiais aos produtores interessados. Os técnicos do órgão desenvolveram dois modelos de secadores especiais, um adaptado à produção de 3 a 5 hectares e outro adaptado para produção de 8 a 18 hectares. A Emater orienta os produtores a iniciarem na atividade somente se tiverem contrato de venda com alguma empresa. Segundo Corrêa, não existe mercado para todos e o produtor que se aventura a plantar ervas medicinais sem negociar previamente com um cliente, certamente ficará com a produção na mão sem ter a quem vender.





