Os prefeitos de duas pequenas cidades do Norte do Paraná dão exemplo de como é possível buscar alternativas para viabilizar a economia de seus municípios em uma época que está cada vez mais difícil fechar as contas no final do mês. Eles demonstram que quando há boa vontade é possível mudar até mesmo os limites geográficos de seus territórios. E foi exatamente isto que aconteceu em Sabáudia e Pitangueiras, a 60 quilômetros de Londrina.
De um lado, o município de Sabáudia com uma condição privilegiada em termos estratégicos para a implantação de indústrias. O município, com 5.600 habitantes, é cortado por 14 quilômetros da PR-218, considerada hoje um dos principais trechos rodoviários da região e usada como alternativa para fugir das praças de pedágio entre Londrina e Maringá. E de outro lado, o município de Pitangueiras, com 3.800 habitantes, e a mesma rodovia passando a 700 metros da divisa e a 6 quilômetros da cidade.
Nos últimos anos, enquanto o parque industrial de Sabáudia se tornava realidade, Pitangueiras não tinha sequer uma indústria para empregar sua população economicamente ativa. O resultado é que dezenas de trabalhadores se deslocam todos os dias para Arapongas, a 25 quilômetros de distância, onde se localiza o maior parque moveleiro do Sul do País.
A busca para colocar Pitangueiras na rota da industrialização começou com o ex-prefeito Arquimedes Ziroldo (PTB) e ganhou força com o prefeito Cristovon Videira Ripol (PDT), que iniciou a negociação, sem grandes formalidades, com o prefeito da vizinha Sabáudia, Almir Batista dos Santos (PDT).
A solução para o problema estava em levar a divisa de Pitangueiras até às margens da rodovia, onde todos os empreendedores querem montar suas empresas, não apenas para facilitar o transporte de seus produtos e da matéria-prima, mas também para serem vistos por quem passa pelo local. Santos se mostrou receptivo às necessidades de seu colega e concordou em fazer a troca de área, que viria a mudar não apenas a divisa entre os dois municípios mas até mesmo o mapa do Paraná.
Para que não houvesse prejuízos em nenhuma das partes, foi contratado um topógrafo para fazer um levantamento técnico das áreas a serem trocadas. O que se concluiu é que seriam necessários 72 hectares (ha), com 1.500 metros de frente para a PR 218. Sabáudia concordou em ''ceder'' apenas um lado da rodovia.
O prefeito de Pitangueiras reconhece que o mapa do município ficou ''um pouco estranho porque a divisa é bastante atípica''. Na realidade, foi anexada uma área retangular ao Sul de Pitangueiras, que é ligada ao território original por uma extensão de apenas 50 metros. Para Sabáudia, a troca não representou grandes alterações em seu formato.
A transformação do sonho de Pitangueiras em realidade dependia ainda da aprovação da Assembléia Legislativa do Estado, mas como havia o consentimento de ambas as partes, a negociação política ficou bem mais fácil e a nova divisa está aprovada. A atualização da mudança no mapa está agora nas mãos do Instituto de Terras e Cartografia do Estado.

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