Brasília - O total do crédito que o governo vai injetar na economia, anunciado pelo ministro Nelson Barbosa (Fazenda) ontem, durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), será de R$ 83 bilhões. A grande novidade será a autorização do uso da multa e de parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia de crédito consignado para trabalhadores do setor privado demitidos sem justa causa. A expectativa é de gerar R$ 17 bilhões de crédito com essa modalidade.
Para crédito rural, serão destinados R$ 10 bilhões; habitacional, com recursos do FGTS, serão mais R$ 10 bilhões; infraestrutura, por meio dos recursos do FI-FGTS, serão mais R$ 22 bilhões em linhas de crédito. Para capital de giro de pequenas empresas serão dedicados R$ 5 bilhões, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), enquanto para investimento em máquinas e equipamentos, o governo trabalha numa linha de crédito do BNDES de R$ 15 bilhões. Para empresas exportadoras, serão liberados R$ 4 bilhões de crédito.
Em reunião do CDES, o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) defendeu a definição de um teto para gastos da União. Ele sugeriu ainda, segundo o Twitter oficial do grupo, "estabelecer margem fiscal legal para acomodar flutuações de receita". Ou seja, definir uma banda fiscal para acomodar quedas da receita, permitindo que a meta de superavit possa ser reduzida até determinado piso em caso de frustração de arrecadação. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou por sua vez a capacidade da instituição em "assegurar estabilidade e bom funcionamento dos mercados".

Dilma
Em discurso aos integrantes do Conselho, a presidente Dilma Rousseff defendeu que, "superada a fase mais premente do ajuste", é preciso construir um "consenso" a respeito de medidas que, reconheceu, são polêmicas no País. "Uma crise é muito dolorosa para ser desperdiçada", afirmou. Entre as ações, ela citou a necessidade de aprovação, pelo Congresso Nacional, da prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e alteração da tributação de juros sobre capital próprio. "Muitos aqui podem ter dúvidas e até se oporem a essas medidas, em especial a CPMF. Certamente terão bons argumentos, mas peço no entanto que reflitam sobre a excepcionalidade do momento, que torna a CPMF a melhor solução disponível", pediu. Dilma voltou a defender, ainda, uma reforma da previdência.
A presidente buscou ressaltar a importância do Conselhão – cuja última reunião foi em 2014 –, mas ponderou que cabe ao Congresso Nacional a "palavra final", a exemplo do que disse o ministro Jaques Wagner (Casa Civil).
O Conselhão tem 92 personalidades de "ilibada conduta e reconhecida liderança", segundo decreto publicado no "Diário Oficial" da União, entre empresários, representantes de movimentos sindicais e da sociedade civil. Caberá a eles, segundo o governo, discutir temas de relevância nacional e sugerir ações para o poder público.

Recessão
O primeiro a ter voz no encontro não adotou tom otimista. "Todos somos perdedores, porque na recessão todo mundo perde", disse Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Para ele, essa crise é "diferente de todas as outras". "Hoje temos uma pauta única no Brasil: o que nos angustia é como tirar o País da recessão. Cada um de nós é protagonista do Brasil hoje, no sentido de que todos têm hoje parcela de responsabilidade. Todos somos perdedores, pois na recessão todo mundo perde." Ele reconheceu que cada um dos integrantes tem uma "pauta própria sobre como sair do imobilismo".

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