No comando da escola do filho
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quinta-feira, 02 de agosto de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Sentir-se dono da escola do filho, participar das decisões e estar completamente envolvido em cada passo da instituição. Estes são os diferenciais de uma cooperativa e que fazem com que este modelo dê certo e se mantenha por vários anos como realidade na vida de muitos pais. De acordo com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), no Estado há 14 cooperativas educacionais registradas, que totalizam 2.762 cooperados.
O Instituto de Educação Infantil e Juvenil (IEIJ) é um exemplo de sucesso que soma uma tragetória de quase 40 anos em Londrina. A instituição surgiu como escola particular em fevereiro de 1973, na Rua Alagoas, no Centro da cidade, e funcionou nestes moldes por quatro anos, trabalhando apenas com educação infantil. Como a unidade tinha despesa muito alta e a sua proprietária, Luiza Leonor Cavazotti e Silva, não dispunha de meios para arcar com os gastos, resolveu fechá-la. ''Encerramos as atividades em dezembro de 1976, em época de férias. Avisei os pais e brinquei com eles dizendo que não era boa para ser dona, mas que poderia administrar a escola para eles. Foi assim que surgiu a cooperativa'', relata Luiza.
No início, eram aproximadamente 30 pais. Eles se organizaram e alugaram uma casa na Rua Raposo Tavares, montaram o estatuto e a estrutura da escola, aproveitando o material que era utilizado anteriormente. Já no começo do ano, quando acabou o recesso escolar, a cooperativa estava funcionando novamente. Naquela época, segundo Luiza, o número de escolas cooperativas era muito grande e elas tinham aspecto político forte por causa da ditadura militar. ''Com o tempo, muitas fecharam e hoje a nossa é a mais antiga do Brasil'', conta. Depois de 11 anos, o Instituto mudou de endereço e há 15 anos está instalado na Rua Bélgica, no Jardim Igapó.
Atualmente, o IEIJ tem um quadro de 200 alunos e 31 funcionários, entre professores, administradores e zeladores. A diretoria é eleita anualmente, com oito cargos, o conselho deliberativo tem mais oito e suplentes, e o conselho fiscal é formado por pais de ex-alunos e ex-alunos. A partir do momento em que o filho entra na escola, o pai passa a ser cooperado e ao sair, perde a função. ''Não há outra modalidade'', explica a fundadora, completando que pais e professores são cooperados, mas a mensalidade é paga apenas pelos pais.
''Temos um estatuto muito simples, mas que funciona muito bem porque na cooperativa tudo é para a escola'', esclarece Luiza, que hoje é professora na instituição e também atua na formação dos educadores. Os custos são baixos, segundo ela, porque não é necessário pagar a diretoria, não há lucro e nem distribuição de dividendos. Todos os cooperados têm acesso aos balanços da escola.
Além desses pontos positivos, existem outros vários que diferenciam a escola cooperativa das demais e a torna atraente. Neste modelo, o pai se sente mais ligado à educação do filho porque ele é responsável pela instituição. Os professores não militam no sindicato porque têm poder de voto e fazem parte da cooperativa, ''por isso sabem equilibrar a necessidade de aumento de salário com a realidade da instituição''. Também não há relação patrão e empregado, mas sim de pais e educadores. ''Como há proximidade, o pai entende os fundamentos educacionais, respeita e colabora'', afirma a fundadora.
Questionada sobre o maior desafio de uma escola cooperativa, Luiza afirma que é saber equilibrar os gastos, sem exagerar, para não ultrapassar o nível econômico dos pais. ''O nosso estatuto é diferenciado de outras escolas cooperativas porque dá total liberdade ao conselho pedagógico'', aponta. ''Vivemos em um ambiente cooperativo, no qual, tanto os pais quanto os alunos sabem que a escola é deles e, por isso, todos cuidam do que têm'', acrescenta.


