No cartão, taxa cai para 9%
Os usuários de cartões de crédito finalmente passarão a se beneficiar da queda dos juros na economia. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), as taxas do crédito rotativo, desde o final do ano passado congeladas em torno de 12% ao mês, devem cair em média para 9% dentro de duas semanas. Waldemar Petty, presidente da Abecs, explica que esse é o prazo que as administradoras de cartões julgam necessário para repassar aos usuários de cartões a redução do custo do dinheiro no sistema bancário.
Além das recentes quedas nos juros da economia - que hoje devem recuar ainda mais, para até 23% ao ano, segundo expectativa do mercado em relação à reunião do Copom -, o reaquecimento das compras e a maior competição entre as empresas de cartões também vão pesar favoravelmente para apressar a redução dos juros.
Os recentes cortes nas taxas básicas vão naturalmente se refletir nos custos das operações com cartões. A concorrência ajudará nessa queda, pois levará vantagem quem oferecer as melhores condições de compra aos clientes - afirmou o presidente da Abecs.
As administradoras de cartões vêm atribuindo à resistência dos bancos em cortar suas taxas e, principalmente, à inadimplência ainda elevada os motivos para manter suas taxas intactas por tanto tempo. Com poucas exceções, os juros praticados pelas administradoras foram fixados ainda sob o impacto da crise russa, que levou o Banco Central a puxar os juros para mais de 40%, em outubro do ano passado.
A Credicard, por exemplo, a maior administradora do mercado, que trabalha com as principais bandeiras, não muda os juros do rotativo, de 11,70% ao mês, desde dezembro. Como os níveis de inadimplência entre seus clientes foram reduzidos em 20%, a Credicard já confirma estar estudando cortar os juros, mas sem fixar valor nem data para que isso ocorra. Segundo Sadi Dalmas, diretor da Abecs, os índices de inadimplência do setor já começam a se normalizar, oscilando entre 3% e 3,5% dos créditos.
As empresas de cartões também devem adotar em breve fórmulas para a cobrança diferenciada de juros entre os clientes. Para isso, as administradoras se valeriam de scores para estabelecer as diferentes categorias dos benefícios a serem oferecidos. Assim, os usuários mais assíduos e que costumam quitar em dia suas faturas passariam a dispôr de juros menores do que aqueles que compram com plástico apenas eventualmente ou atrasam pagamentos.Arquivo FolhaDinheiro de plásticoReaquecimento das compras e maior competição entre as operadoras devem apressar redução dos jurosAgência O Globo





