Especialistas apontam o Brasil como o país com estoque de terras férteis disponíveis. No País, a expansão da produção de etanol de cana não pressiona os preços dos alimentos. Para o economista Lester Brown, presidente do Earth Policy Institute, o Brasil teria, de fato, bom potencial para expansão de produção de soja e milho, mas não de trigo e arroz, por motivos climáticos. Segundo ele, as pessoas estavam acostumadas com altas temporárias nos preços agrícolas, por causa de uma seca ou enchente, por exemplo. Mas agora a mudança pode ser permanente. ''O preço da comida vai subir com o do petróleo'', disse Brown. Recentemente, ele foi chamado ao Senado americano para uma audiência sobre os efeitos dos biocombustíveis nos preços mundiais de alimentos.
Ephrain Leibtag, especializado em preços de alimentos do Departamento de Agricultura dos EUA, afirma que, ao lado da demanda de etanol, a alta nos preços de energia também tiveram papel importante na inflação dos alimentos. Ele não acredita que haja uma mudança estrutural. ''Acho que não vai perdurar, principalmente porque etanol de milho não é eficiente no longo prazo; deverão mudar para outros combustíveis'', disse ele à reportagem. A alternativa seriam importação de etanol de cana do Brasil ou etanol celulósico nos EUA, quando se tornar viável comercialmente.
Bruce Babcock, diretor do Centro de Desenvolvimento Agrícola da Universidade de Iowa, acha que a mudança pode ser para valer. '' Se os EUA mantiverem políticas de incentivo ao etanol, haverá mudança estrutural nos preços, que se acomodarão em nível mais alto'', disse Babcock, que estuda o impacto dos biocombustíveis nos preços dos alimentos. ''Nós não chegamos a esse nível e os preços vão continuar subindo.''

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