No arenito, valorizam também as áreas quebradas de pasto
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Sid Sauer Equipe da Folha 
Campo Mourão - A intensificação do plantio de soja em áreas de arenito caiuá está fazendo aumentar o valor da terra na região de Campo Mourão. Além das terras de arenito, que chegam a ter uma valorização de 200% em três anos, o fenômeno afetou as chamadas áreas quebradas de pastagens, que ganharam maior procura e passaram a ser valorizadas.
O arenito fez o preço das áreas quebradas ir para cima, conta o corretor Juacir Piacentini. A terra plana do arenito subiu muito e isso valorirou a terra dobrada, explica. Segundo ele, o alqueire de pasto em municípios como Iretama e Nova Tebas saltou de cerca de R$ 2,3 mil para de R$ 5 mil a R$ 5,5 mil.
O chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), Edílson Souza e Silva, diz que o fenômeno tem uma explicação lógica. A soja entrou no arenito no lugar da pecuária, que teve que ir para as regiões mais quebradas. Isso acabou forçando a valorização dessas áreas, ressalta. Somente em Araruna, a soja roubou 5 mil ha antes destinados às pastagens.
Foram as áreas de arenito, no entanto, que tiveram as maior valorização nesses últimos três anos. O preço do alqueire, antes vendido a 250 sacas de soja, hoje não sai por menos de 500 sacas por alqueire. Em algumas propriedades já se fala em 600 sacas de soja por alqueire, conta Edílson de Souza e Silva. A saca de soja estava cotada ontem a R$ 21,00.
A valorização aconteceu depois que surgiram variedades de soja com alta produtividade na chamada terra mista. A produtividade da soja no arenito passou a ser equivalente à terra roxa, conta Silva. Com isso, os produtores conseguiram dobrar a produção comprando áreas de terras arenosas vendidas pela metade do preço da terra roxa.
Enquanto o arenito e as áreas quebradas de pasto ganharam valorização, a terra roxa manteve seus preços estáveis. Vem sendo mantido o valor médio de 800 a 850 sacas de soja por alqueire, diz Piacentini. Só ocorre variação se variar o preço da soja, que é a nossa moeda, afirma o presidente do Sindicato Rural Patronal de Campo Mourão, Nélson Teodoro de Oliveira.


