Em agosto, o valor da cesta básica em Londrina subiu 4,63%. No mês passado, a variação havia sido de 4,82%. ''Estamos observando uma aceleração dos preços acima da inflação, principalmente se avaliarmos o valor acumulado do ano'', avalia o economista e coordenador da pesquisa de cesta básica de Londrina, Flávio Oliveira dos Santos. Na somatória desde janeiro, a cesta básica sofreu aumento de 12,79%, valor mais do que quatro vezes maior do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no ano, que totaliza 2,76%. Nos últimos 12 meses, a cesta básica do município teve acréscimo de 15,91%, índice três vezes superior ao IPCA do período (5,20%).
Os principais responsáveis pelo aumento nos preços em agosto foram a batata (30,28%), arroz (11,02%), carne (10,03%), café (3,54%), açúcar (2,21%), óleo (1,96%), pão francês (1,83%) e farinha de trigo (1,64%). Em contrapartida, os alimentos que apresentaram redução de preços no mês foram tomate (-4,04%), banana (-1,71%), margarina (-1,62%), leite (-0,93%) e feijão (-0,53%).
A cesta básica para uma pessoa foi vendida a R$ 256,38 e, para uma família de quatro integrantes, a R$ 769,14. Com base nos menores preços encontrados nos nove supermercados pesquisados, a economia seria de 16,44%, sendo que o valor da cesta básica individual cairia para R$ 214,22, enquanto o da cesta para a família chegaria a R$ 642,65. O tomate foi o produto que apresentou a maior variação de preço entre os estabelecimentos pesquisados, de R$ 3,98 a R$ 5,69, o equivalente a 42,96%. A carne, que representa 40% do valor da cesta básica, sofreu variação de 30,72%, sendo encontrada a preços variando entre R$ 12,99 e R$ 16,98. Santos orienta, portanto, que o consumidor aproveite para fazer compras em dias promocionais para obter economia nos preços de hortaliças e carnes.
De acordo com a análise do professor convidado de economia do ISAE/FGV, Alivinio Almeida, esse tipo de oscilação nos preços é um fenômeno cíclico e natural do setor de alimentos, decorrente principalmente pelo clima. ''Os efeitos da seca na produção vem se acumulando desde o final do ano passado e são repassados lentamente para os demais setores da economia'', explica. Almeida lembra que as safras brasileira e internacional foram prejudicadas pela estiagem e a oferta reduzida de grãos pressiona os preços da cadeia produtiva, levando à valorização de produtos como o óleo de soja e as carnes. ''É inevitável que o aumento de preços chegue a cesta básica. A diferença é que o impacto dessa vez é mais grave. Mas, apesar de aguda, a situação deve ser sazonal e ainda está dentro da normalidade'', comenta.
Segundo Almeida, o impacto do aumento significativo na cesta básica é maior para as famílias de baixa renda, cujo orçamento é concentrado em alimentação e consumo básico. À medida em que a renda sobe, o impacto na cesta de consumo diminui, mas, mesmo assim, todos são afetados pelo encarecimento dos alimentos. ''Com isso, a população passa a rever os hábitos de consumo e a priorizar os gastos. É nesse sentido que o aumento da cesta básica pode resultar em aumento da inflação'', alerta o professor de economia.

Imagem ilustrativa da imagem No ano, cesta básica sobe quatro vezes mais do que inflação
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