No ano 2000
Cruzando dados do mercado financeiro e seguindo os passos do consumidor, técnicos da QualyCard constatam que no ano 2000 o brasileiro estará financiando aproximadamente 60% de suas compras. Em relação aos índices atuais, melhor ainda, à expectativa de fechamento do ano, isso representa um crescimento de 112% nas operações a longo prazo.
A disponibilidade de crédito hoje é fator determinante para a venda de sapatos, arroz e feijão, bens duráveis. Pode-se dizer que o financiamento é a mola da economia real. Só não financia, hoje, quem vive à margem.
Manuseando números e analisando a situação do mercado, a administradora de cartões de crédito chega à conclusão de que a tendência mais forte até o final da década é o alargamento dos prazos de financiamento para uma média de seis meses. O que deve levar o saldo de endividamento das famílias brasileiras (excluídos os habitacionais) para mais de US$ 100 bi.
Fausto Stephan, diretor comercial da QualyCard, diz que o volume previsto é seis vezes maior que o de hoje. Ainda assim é pouco, quando se sabe que o endividamento do brasileiro vai de uma a duas vezes o salário, enquanto o europeu fica entre 12 e 18 vezes, afirma ele. Acontece que a economia andou assustando muito por aqui. E as taxas de juros arrepiam.
Com um olho no usuário e o outro no Produto Interno Bruto, que estará próximo a US$ 1 trilhão no ano 2000, segundo a QualyCard, as administradoras de cartões de crédito se mobilizam como podem para assegurar a maior fatia dos financiamentos. Sabem que o mercado é emergente: 35 milhões de brasileiros estão indo às compras com cartão; no ano 2000 serão mais de 100 milhões - calcula a empresa. Por isso é que as administradoras de crédito estão agitadas.
Stephan comenta, inclusive, que a maioria delas vê o programa de milhagem (ou bônus) como o caminho mais curto para se chegar ao consumidor - porque premia o usuário conforme as suas compras. Mas o sistema tem suas desvantagens, adianta o diretor: Muitas empresas não consideram a diferença que os percentuais de descontos acarretam sobre o volume total comercializado. O custo para o emissor geralmente é elevado em função de impostos, armazenagem e distribuição, destaca.
A solução apontada por ele é a parceria com estabelecimentos ou setores específicos para a criação de campanhas interessantes. Um bom programa de milhagem, que atenda satisfatoriamente consumidores e empresas, depende de um delicado equilíbrio entre seu custo efetivo e o decorrente estímulo ao aumento de compras.
* A QualyCard é a divisão de cartões de crédito e comércio eletrônico da empresa ADP, controlada pelo grupo RBS. Opera em quatro áreas: recursos humanos e gestão administrativa financeira, tv por assinatura e cartões de crédito.





