No 3º trimestre, queda de fusão e aquisição é de 23%
A prolongada crise argentina, acompanhada da variação cambial, foi o fator determinante na queda de 23% no número de fusões e aquisições no Brasil no terceiro trimestre, em comparação com a média mensal no primeiro semestre deste ano. Sobre o mesmo trimestre do ano passado, também houve recuo, mas em menor escala (13%). Os dados fazem parte do estudo de Fusões e Aquisições da KPMG Corporate Finance.
A freada começou em julho. O primeiro semestre de 2001 vinha numa curva ascendente e registrou 184 operações, contra 172 nos primeiros seis meses de 2000.
''Tudo indicava que 2001 seria um ano excelente'', lamenta André Castello Branco, sócio responsável pela pesquisa. Tanto que a KPMG trabalhava com um crescimento de 6% em 2001 sobre as 353 operações verificadas no ano anterior. ''Se a meta se concretizasse, repetiria o mesmo número recorde registrado em 1997.''
Para o último trimestre do ano, as previsões são negativas. ''A expectativa é de queda. Só não dá para quantificar'', afirma Castello Branco, ressaltando que o último trimestre do ano é historicamente fraco. ''A taxa será negativa e fica na casa dos dois dígitos'', garante. Na sua opinião, ''é difícil medir os impactos'' da ação militar contra o Afeganistão.
O Estado de São Paulo continua liderando a pesquisa, abrigando o maior volume de negócios. De acordo com a KPMG, o mercado paulista foi cenário de 33 operações registradas no terceiro trimestre. Em segundo lugar aparece o Rio de Janeiro, com 16 transações , e em terceiro o Rio Grande do Sul, com 7 operações.
O capital estrangeiro, segundo os dados do KPMG, foi registrado em 60% das transações analisadas entre os meses de julho e setembro, deste ano. ''Os Estados Unidos lideram o ranking de investimentos em 17 operações, seguidos da Espanha (5), Argentina (4) e França e Reino Unido, cada um com 3 transações.
''A queda de 23% é reflexo do prolongamento da crise da Argentina, com seu consequente impacto sobre a taxa de câmbio no Brasil, o que reduz a lucratividade de empresas que têm boa parte de seus custos atrelados ao dólar e a receita em reais'', explica Castello Branco. Ele acrescenta que este é o caso de empresas de telecomunicações e tecnologia da informação.





