No 2º dia, euro já enfrenta greve
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2002
Reali Júnior 
ParisAo comprar um maço de rosas para sua mulher Josiane, numa floricultura de um bairro popular de Paris, o primeiro-ministro francês Lionel Jospin França foi um dos primeiros a utilizar notas e moedas de euros como forma de pagamento no país.
O processo de implantação da nova moeda ocorreu sem grandes problemas no feriado de ontem, 1.º de janeiro, mas será hoje o dia do grande teste, principalmente na França, pois os sindicatos dos bancários e dos serviços de correios estão confirmando uma greve geral do setor, o que poderá prejudicar o bom funcionamento do sistema.
Dessa forma, os apelos lançados na véspera pelo ministro de Economia, Laurent Fabius, e pelo presidente do banco central, Jean Claude Trichet, para que a greve fosse suspensa não parecem ter sido levados em consideração.
Na noite passada, Trichet revelou que só na França, às 18h, 2,5 milhões de retiradas em euros já haviam sido feitas junto a distribuidores automáticos. A seu ver, em 15 dias, 85% da massa monetária francesa será de euros.
As principais centrais sindicais, CGT, CFDT, FO, SNB e outras que fazem parte da intersindical reconhecem, entretanto, a dificuldade de mobilizar suas forças nesse período de festas de fim de ano, razão pela qual poderão estender o movimento para hoje, caso não consigam reunir 30% de grevistas, o que seria suficiente para perturbar o processo de introdução da moeda única. Elas estão aproveitando a ocasião para reivindicar melhorias salariais e de condições de trabalho.
Se a situação em Paris é menos grave, mesmo porque alguns acordos puderam ser concluídos, espera-se maior mobilização em cidades como Marselha, Lille, Toulouse, Lyon. A direção dos estabelecimentos bancários se esforçam para que as agências abram suas portas de qualquer forma, contratando jovens estagiários.
Ao mesmo tempo, a Europol, policia européia, começa a coordenar nos 12 países da zona do euro a luta contra os falsários. Espera-se, na verdade, duas grandes vagas de contrafação.
A primeira deve ocorrer muito rapidamente, aproveitando o desconhecimento da moeda pelos 304 milhões de consumidores dos países da zona do euro. A falsificação deverá ser grosseira, mas suficiente para que os marginais possam se aproveitar de pessoas de boa fé que ainda não sabem identificar as novas notas.


