No 1º semestre, a cadeia têxtil abriu 30 mil vagas
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O número de empregos criados pela cadeia têxtil, da agricultura ao comércio, saltou de 8,9 mil no primeiro semestre do ano passado para 29,6 mil no mesmo período deste ano, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). O presidente da entidade, Paulo Skaf, atribui o aumento na contratação de trabalhadores ao crescimento de 5% no mercado interno e à elevação de 30% nas exportações no período.
Na avaliação do empresário, o aumento da demanda interna refletiu, basicamente, a melhora da qualidade do produto brasileiro, que se tornou mais competitivo frente ao importado. A melhora qualitativa do tecido brasileiro foi resultado de investimentos em modernização de US$ 7 bilhões nos cinco anos anteriores. Além da qualidade, explica Skaf, os preços das roupas ao consumidor, calculados pela Fipe, registraram queda acumulada em relação ao IPC, que saiu de 100, em junho de 1994, para 180,59, em junho de 2000. O índice para vestuário, no período, caiu de 100 para 93,33, indicando que os preços estão mais baixos agora do que há seis anos.
O recuo na taxa básica de juros da economia ainda não teve impacto na produção, segundo a Abit, mas as reduções sinalizam que o segundo semestre será ainda melhor para o setor, que pretende criar 470 mil vagas até 2005. Desse total, metade será gerada na área de cotonicultura, por meio de um aumento planejado na produção de algodão até 2005 para 600 mil hectares plantados. Os outros 50% serão gerados na indústria, com elevação de 70% na produção e 20% na produtividade. Até 2005, serão investidos US$ 12 bilhões no setor.
As exportações brasileiras de têxteis totalizaram US$ 95,226 milhões em junho, contra US$ 74,211 milhões no mesmo mês do ano passado. Em maio, foram US$ 110 milhões em vendas contra US$ 82,5 milhões em maio de 1999. Segundo Skaf, apesar do melhor desempenho das vendas externas, o setor ainda está deficitário, nos mesmos níveis que no ano passado o setor têxtil encerrou o ano passado com déficit de cerca de US$ 400 milhões. Ainda assim, a expectativa da Abit é de zerar a balança comercial do setor, que tem registrado déficits consecutivos desde meados da década, já a partir deste ano.
A meta da Abit, registrada no lançamento do Fórum da Competitividade do Ministério do Desenvolvimento, em maio, é exportar US$ 4,3 bilhões em 2005, o que corresponde a 1% do mercado mundial de têxteis. Para atingir as metas, no entanto, a Abit conta com a redução do chamado Custo Brasil, sobretudo no que se refere a impostos, além de mais rigor na fiscalização de têxteis importados.
O atraso na chegada do frio, que neste ano começou em julho, teve um impacto de 30% no faturamento das confecções do Sul e Sudeste do País, de acordo com análise da Abit. Isso porque, as vendas previstas para maio e junho não aconteceram, e o lojista não fez nova encomenda de roupas para julho.


