Os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas na Região Sudeste devem chegar ao fim deste mês com apenas 34,1% da capacidade. Essa previsão é 2,1 pontos porcentuais abaixo daquilo que foi estimado no início do mês pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A situação encontra-se bastante crítica, já que, para atravessar um período de seca – entre maio a setembro – sem problemas de abastecimento de energia as barragens deveriam estar com 49% dos níveis de água no final de abril.
Com isso, o Plano de Redução de Consumo e Aumento da Oferta, lançado pelo governo federal no início do mês, tem de ser suficiente para cobrir essa demanda. Uma redução mais significativa dos níveis desses reservatórios pode levar ao racionamento de energia nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Para dar explicações sobre a crise do setor elétrico nacional e a privatização das estatais de geração, o ministro de Minas e Energia, José Jorge, e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, vão ao Senado e à Câmara dos Deputados. Os senadores vão indagar José Jorge, hoje à tarde, numa reunião conjunta das comissões de Assunto Econômico (CAE), Infra-Estrutura (CI) e Fiscalização e Controle (CFC).
Pela manhã, às 11h, na Comissão de Minas e Energia da Câmara, os deputados vão debater com o ministro José Jorge e Abdo o possível colapso do setor energético. O deputado Fernando Ferro (PT-PE) disse que o governo federal não está informando corretamente sobre a situação do parque hidráulico. Ferro afirmou que as chances de racionamento aumentaram nas últimas semanas por causa da escassez das chuvas.
EnergiaO cenário é idêntico para o subsistema Nordeste. A previsão do ONS indica que a soma dos níveis de todos os reservatórios localizados naquela região devem chegar a 34% da capacidade de água, ou seja, 16 pontos porcentuais abaixo da previsão feita pelos técnicos para que as hidrelétricas pudessem atravessar o período seco sem problemas.
O quadro mostra-se mais crítico quando as bacias hidrográficas são analisadas individualmente. A bacia do Rio Paranaíba, que tem a Usina Hidrelétrica de Emborcação como principal reservatório de água, aponta para 26,7% de água nas barragens no fim deste mês, ou seja, 3,3 pontos porcentuais abaixo da previsão.
Já a bacia do Rio Grande, que tem na usina de Furnas o mais importante reservatório, deve fechar o mês de abril com 27,6% da capacidade tomada pela água, ou seja, 1,7 ponto porcentual aquém da estimativa feita pelo ONS. No Nordeste, a bacia do Rio São Francisco encerrará o mês com 33,7% da capacidade de água. Enquanto isso, os reservatórios nas regiões Sul e Norte terão quantidade de água suficiente para a geração de energia.

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