Washington - O Brasil pode ultrapassar os US$ 160 bilhões em reservas, valor atual da dívida externa pública e privada, afirmou o ministro da Fazenda Guido Mantega ontem. ''Não vejo nenhum inconveniente em ultrapassar US$ 160 bilhões; não há limite para acumulação de reservas, ela é feita de acordo com nossa necessidade de enxugar o mercado e pagar as nossas dívidas'', disse Mantega, que estava em Washington participando da Reunião da Primavera do Fundo Monetário Internacional.
Segundo Mantega, a maioria das economia que sofrem hoje com a valorização de sua moeda têm aumentado suas reservas. ''Uma das medidas (para conter a valorização do real) é aumentar as reservas, enxugando os dólares excedentes que há na economia'', disse o ministro da Fazenda. ''Outra medida é o crescimento, pois à medida que a economia cresce, importa-se mais; isso já acontece no Brasil, o crescimento das importações é maior que a alta das exportações.''
Mantega aponta para o benefício do aumento das reservas, atualmente em cerca de US$ 110 bilhões. ''Reservas tornam o país seguro; o país fica protegido de um ataque especulativo contra a moeda local'', disse o ministro da Fazenda. ''Quando se tem US$ 100 bilhões em reservas no bolso, os especuladores pensam duas vezes antes de fazer um ataque especulativo.'' Mantega admite que carregar altas reservas tem um custo, porque é necessário enxugar os reais da economia com emissão de dívida pública, ''mas vale a pena''.
O ministro da Fazenda comemorou as observações do FMI sobre a situação macroeconômica do Brasil. ''O Fundo reconhece que o Brasil avançou muito nas questões econômicas e sociais; reconhece que o País está crescendo de forma sólida, que as contas públicas estão bem'', disse Mantega. ''Sempre fazem recomendações, como a de reduzir os gastos fiscais, mas o resultado é muito favorável para o Brasil.''
Mantega foi para Nova York, onde participa de reuniões com o conselho das agências de classificação de risco Moody's e Standard & Poor's, eventos no Council of the Americas e uma reunião com investidores no hotel Waldorf Astoria.

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