Um dos papas da piscicultura mundial, o engenheiro agrônomo inglês David Little, 42 anos, se despede hoje do Norte do Estado impressionado com a infra-estrutura e a produtividade das propriedades modelo que se dedicam à produção de tilápias. Ele esteve ontem na Fazenda Belmonte, há cinco quilômetros de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), cujo proprietário, Ricardo Neukirchner, foi o anfitrião nas visitas à região.
Little embarca hoje à noite para o Rio de Janeiro, onde será um dos principais palestrantes do Simpósio Internacional de Tilapicultura, considerado por especialistas o encontro mais importante da piscicultura no Brasil em todos os tempos. O evento começa na segunda e termina na quarta-feira.
Em sua passagem pelo Norte do Estado, onde esteve em pelo menos uma dezena de fazendas no eixo Londrina-Maringá, Little agregou todos os dados possíveis sobre a experiência da região e ficou impressionado com a rentabilidade da atividade no Brasil.
Radicado na Tailândia, país do sudeste asiático, Little é o inventor do sistema de incubação artificial de tilápias por coleta de ovos na boca, que otimiza o processo de reversão sexual, garantindo que 100% dos ovos sejam transformados em alevinos machos - a fêmea é a grande vilã na busca de produtividade nos tanques.
O sistema foi adotado com sucesso e de forma pioneira no País na Fazenda Belmonte, que utilizou suas famosas lavouras irrigadas de arroz para implantar 68 tanques de engorda da espécie.
Little forneceu as matrizes e o know-how para aumentar a produtividade na reprodução de alevinos em Rolândia. Um consultor da fazenda fez estágio de 10 dias no complexo do inglês na Tailândia e trouxe a técnica, ainda desacreditada, para solo brasileiro.
Hoje, ocupando 2% da área, a atividade é responsável por 60% do faturamento da fazenda de 120 alqueires, preenchidos por cultura de soja, milho e cana-de-açúcar. A produção da tilápia tailandesa é de 120 toneladas ao ano, vendidas a frigoríficos e pesqueiros do Paraná e São Paulo.
Para dar suporte ao ambicioso projeto, Neukirchner (um engenheiro agrônomo que em 1994 decidiu apostar no incipiente mercado de engorda de tilápia) implantou um centro de pesquisa anexo a propriedade, reconhecido hoje como um dos cinco melhores do mundo e o primeiro do Brasil.
Tanto prestígio está rendendo a Aquabel - Estação de Piscicultura - além da ilustre visita, um acordo exclusivo de cooperação com o engenheiro agrônomo inglês, um dos grandes produtores da Tailândia, que ao lado de Costa Rica e Honduras ponteiam o ranking mundial na produção da espécie. ‘‘Em pouquíssimo tempo, o Brasil estará à frente neste seleto clube. Basta mantermos o ritmo de crescimento atual’’, aposta o fazendeiro de Rolândia.
A própria Aquabel está ajudando a cumprir a previsão de Neukirchner. Todos os meses são produzidos 2 milhões de alevinos, o maior volume do Brasil. São 10 mil metros quadrados de estufa, rigoroso controle sanitário e profissionais de nível internacional. A capacidade de produção chega a 4 milhões de alevinos por mês. Metade da estrutura ainda está ociosa.
A tecnologia em pólos de excelência como a Belmonte faz a tilápia tailandesa ser a espécie de crescimento mais rápido entre as produzidas em cativeiro no Brasil. Sem dispor de dados mais exatos, Neukirchner diz que o ritmo de crescimento do consumo interno ‘‘também é impressionante’’ e deve garantir mercado na próxima década.

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