São Paulo - A taxa de desemprego no País apresentou leve recuo ao atingir 10,6% em maio, ante os 10,8% verificados em abril, segundo informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em sete regiões metropolitanas e divulgada ontem.
O nível de ocupação no País ficou praticamente estável, com alta de 0,2%. No mês, o total de ocupados nas regiões foi estimado em 19,993 milhões, para uma População Economicamente Ativa (PEA) de 22,375 milhões. Mesmo com leve alta no nível de ocupação, o número de desempregados avançou em 46 mil pessoas. Segundo a Seade e o Dieese, isso se deve a redução no número de pessoas que procuraram emprego, representados por um recuo da PEA (-0,1%).
A taxa de desemprego apresentou recuo em quatro regiões: em São Paulo (passou de 11,2%, em abril, para 10,9% em maio), Recife (recuo de 12% para 11,7%) e Porto Alegre (de 7,8% para 7,3%) e Distrito Federal (de 13,1% para 13%). Belo Horizonte ficou estável, em 5%. A taxa de desocupação aumentou em Fortaleza (de 9,8% para 9,9%) e Salvador (de 17,5% para 17,6%).
Na divisão por atividade, o nível de ocupação subiu apenas em dois dos cinco setores: alta de 1,4% em serviços (com abertura de 150 mil postos) e em outros setores (criação de 3.000 vagas, alta de 0,2%). Houve queda no comércio (com fechamento de 96 mil postos de trabalho, retração de 2,9%), na construção civil (-20 mil postos, queda de -1,5%). Na indústria a queda foi leve, com encerramento de 3.000 vagas, recuo de -0,1%.
Rendimento
Em abril, o rendimento médio real dos ocupados (descontada a inflação) cresceu 0,7% no País, ficando em R$ 1.477. Já o dos assalariados apresentou recuo de 0,3%, para R$ 1.523. O rendimento médio real dos ocupados aumentou em Porto Alegre (1,7%, passando a valer R$ 1.521), São Paulo (1,6%, R$ 1.609) e Recife (1,3%, R$ 1.086) e reduziu-se em Fortaleza (-1,9%, R$ 985), Salvador (-1,5%, R$ 1.017), Distrito Federal (-1,2%, R$ 2.274) e Belo Horizonte (-0,9%, R$ 1.403).
Taxas diferentes
A diferença na metodologia utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela PED (Seade/Dieese) explica a discrepância entre os números apresentados pelas pesquisas. A PED reportou uma taxa de desemprego de 10,6% em maio, enquanto o IBGE divulgou uma variação de 5,8%.
Na PED, realizada desde janeiro de 1985, a Seade e o Dieese dividem o desemprego em três categorias: aberto (quanto as pessoas procuram emprego), oculto por desalento (pessoas que não procuraram trabalho nos últimos 30 dias por uma série de motivos, como por exemplo, a crença de que o mercado está ruim e não será possível encontrar) e oculto por trabalho precário (que realizam trabalhos precários, como bicos, por exemplo).
Para o IBGE, que realiza a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) desde janeiro de 1980, a pessoa que faz bicos ou tem um emprego temporário está empregada. Ou seja, o instituto leva em consideração apenas as informações referentes ao desemprego aberto - quando a pessoa está há mais de 30 dias procurando emprego.

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