A inadimplência no País caiu este ano em relação a 1995, mas aumentou na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo dados da Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos S/A), o número de títulos protestados em todo o Brasil diminuiu 16,4%. Na Grande Curitiba, segundo dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial, até novembro o número de inadimplentes aumentou 27% em relação ao ano passado.
Em todo o País, o número de títulos protestados caiu de 8,5 milhões em 1995 para 7,1 milhões este ano. Deste total, 76% são protestos de títulos de pessoas jurídicas e 24%, de pessoas físicas. O comércio, por ter maior número de empresas, foi o setor que teve mais títulos protestados (64,8% do total), seguido pelas empresas de serviços (17,8%) e pelas indústrias (16,5%).
Os técnicos da Serasa destacam que o pagamento de dívidas têm aumentado mais que os protestos novos. Ainda assim, as perspectivas para o primeiro semestre de 1997, segundo eles, é de estabilização da inadimplência nos atuais patamares, considerados elevados.
Na análise da Serasa, isto deve ocorrer porque o nível de emprego permanecerá inalterado, os salários não deverão subir e as taxas de juros do crédito pessoal permanecerão altas. Além disso, no primeiro trimestre a renda das pessoas vai estar comprometida com pagamento do IPTU, IPVA e material escolar.
Na contra-mão Enquanto o calote diminui no País, em Curitiba acontece o contrário. De janeiro a novembro foram feitas 3.350 inclusões no cadastro de inadimplentes do SCPC da Associação Comercial do Paraná. No mesmo período de 1995, as inclusões foram 2.628. ‘‘O número de vendas a prazo aumentou este ano e a inadimplência também’’, constata Luiz Nardelli, diretor do SPC da Associação Comercial.
O pico da inadimplência na Grande Curitiba este ano aconteceu no mês de maio, quando houve 484 inclusões no cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito. No mês anterior houve 332 inclusões, praticamente o mesmo número do mês de março (333). Este número caiu para 320 em junho e continuou em queda até outubro, quando houve 281 inclusões. Em novembro este número subiu para 316.
Luiz Nardelli aposta na estabilização da inadimplência na Grande Curitiba. ‘‘Acho que a inadimplência vai continuar alta, com tendência à estabilidade, com pequenos altos e baixos a cada mês’’, diz.
Falências e concordatas O número de concordatas requeridas este ano no País diminuiu 62% em relação ao ano passado, mas o pedido de falências aumentou 49,8%. O aumento no número de falências decretadas foi ainda maior: 71% até novembro, em relação ao mesmo período de 1995. Foram requeridas 42,9 mil falências, contra 28,6 mil em 1995. As falências já decretadas este ano somam 4,1 mil. Em 1995 foram 2,4 mil.
A maior parte das falências decretadas atingiu o comércio (58,1% do total). 26,6% das falências decretadas envolveram indústrias e 14,6%, empresas do setor de serviços. A Serasa aponta que este ano 10,2% das falências requeridas foram decretadas. Ano passado este número foi de 8,8%; em 1994, de 15,9%; e em 1993, de 17,9%.

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