Nível de estoques de café preocupa
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segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Raquel Massote<br> Agência Estado 
Salvador - A 2 Conferência Mundial de Café, encerrada ontem em Salvador (BA), acenou com o consenso em torno da ''intervenção zero'' no mercado como forma de ordenar a produção. Apesar disso, representantes da Organização Internacional do Café (OIC) e de governos demonstraram preocupação com a redução expressiva dos estoques nos principais países produtores, justamente no momento em que a estimativa é de um incremento, nos próximos cinco anos, de 10% no consumo mundial, atualmente em 115 milhões de sacas por ano.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu que o País chegará ao próximo ano com o nível mais baixo de estoques de passagem das últimas décadas. O primeiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em março, apontou que os estoques privados do Brasil eram de 12 milhões de sacas, além de 3,5 milhões de sacas de café velho (idade superior a 20 anos) dos estoques governamentais.
O ministro disse que o País pretende manter a participação mínima de 40% da produção mundial e defendeu que sejam criados mecanismos para ordenar o fluxo das safras. O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, rechaçou a utilização do que ele considera instrumentos ''antiquados'' de ordenamento do mercado, como retenção, cotas ou acordos para restringir a produção.
Um dos caminhos que poderiam ser adotados, de acordo com ele, seriam os contratos de opção, ou alongamento do prazo das Cédulas de Produto Rural (CPR's), com a participação dos importadores. Esses contratos seriam aplicados em anos de safra alta para garantir estoques para períodos de baixos volumes de produção. ''Não temos pretensão de fazer com que os estoques (obtidos por esta política) durem indefinidamente e estes instrumentos serão utilizados com prazo definidos, que poderão chegar a um período de 18 meses'', afirmou o ministro.
Costa Lima afirmou que o governo pretende desenvolver um calendário, que será cumprido com muita rigidez, divulgando conjuntamente as estimativas de produção e a avaliação sobre o volume dos estoques privados. Não há consenso entre os governos e a OIC sobre qual seria o nível de sacas adequado para evitar o recrudescimento de uma nova crise de preços, seja de sobreoferta ou de falta do produto. ''Estamos vivendo um momento de risco, de falta de café'', reiterou o secretário.
O ministro admitiu também que, em virtude da crise de baixos preços vivida pelo setor nos últimos cinco anos, não houve nos principais países produtores dinheiro necessário para investir na renovação do parque cafeeiro. O governo, porém, por meio da Embrapa, irá buscar a melhoria da produtividade para passar das atuais 15 sacas por hectare para uma faixa de 20 sacas. Ele considerou também que a idéia de agregação de valor ao produto, principalmente no caso do solúvel, ''é óbvia''.


